Moradores da Favela do Moinho contestam plano de reassentamento e cobram ação dos governos estadual e federal
População pede moradias no centro e denuncia pressão por parte da CDHU
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 28/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Moradores da favela do Moinho, localizada na região central de São Paulo, participaram nesta segunda-feira (28) de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado para protestar contra o plano de reassentamento proposto pelo governo estadual.
A proposta da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) prevê o deslocamento de cerca de 800 famílias para unidades habitacionais subsidiadas pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), fora da área onde vivem atualmente.
Durante o encontro, representantes da comunidade afirmaram que a adesão ao programa ocorre sob pressão, motivada pelo receio de despejo. Eles relataram que a CDHU tem exercido influência direta para forçar a saída dos moradores, o que foi negado pelo governo paulista, que defende que o plano está sendo implementado de forma voluntária e com acompanhamento técnico e social.
Moradia digna e acessível no centro é a principal demanda
Os moradores reivindicam que os apartamentos prometidos sejam entregues na própria região central, onde muitos já vivem e trabalham. O modelo “chave por chave” — a entrega imediata da nova moradia no local atual — é a principal exigência do grupo.
Atualmente, há pouco mais de cem unidades prontas nas proximidades e outras em construção, com previsão de entrega em até dois anos. Enquanto isso, o auxílio-moradia de R$ 800, oferecido pelo governo estadual, é considerado insuficiente diante dos altos preços de aluguel na área central.
Yasmin Moja, liderança da associação de moradores do Moinho, criticou o valor de financiamento oferecido, de R$ 250 mil, alegando que não é suficiente para a aquisição de uma moradia adequada na região. “Para uma família com pai, mãe e criança, o valor mínimo seria R$ 350 mil”, afirmou. Ela também cobrou uma resposta do governo federal: “Será que o Lula não pode ajudar? Que ele se posicione, é isso o que pedimos.”
Governo promete diálogo, mas participação federal ainda é incerta
Embora o terreno da favela pertença à União, o plano de reassentamento vem sendo conduzido prioritariamente pelo governo estadual. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de São Paulo, conversas recentes com o Ministério das Cidades têm buscado formas de garantir a participação federal, inclusive com o aporte de recursos para ampliar as cartas de crédito e os auxílios oferecidos às famílias.
O governo paulista informa que cerca de 1.500 unidades habitacionais estão sendo viabilizadas, sendo mil na região central. Além disso, afirma que o plano foi elaborado com base em mais de 2.000 atendimentos individuais e contou com a participação de representantes da comunidade, da Defensoria Pública, da Prefeitura e da Superintendência do Patrimônio da União.
Apesar do esforço declarado, a ausência de representantes estaduais e federais na audiência foi criticada pela deputada Mônica Seixas (PSOL), que organizou o evento. Ela pediu a criação de uma mesa de negociação conjunta entre os dois governos, algo ainda não formalizado.