Mobilidade elétrica e a nova oportunidade industrial do Grande ABC

Transição global para veículos elétricos abre possibilidade de reposicionamento industrial para o Grande ABC

Crédito: (Imagem: Freepik)

A indústria automotiva vive uma das maiores transformações de sua história. A transição dos motores a combustão para sistemas de mobilidade elétrica está redefinindo cadeias produtivas, competências industriais e estratégias econômicas.

Para o Brasil, especialmente para o Grande ABC, essa mudança abre uma pergunta estratégica: seremos apenas consumidores dessa nova tecnologia ou voltaremos a ocupar um papel protagonista em sua produção?

A região construiu uma das cadeias industriais mais completas da América Latina com a instalação de empresas como: Volkswagen, Mercedes-Benz, Scania, Ford e GM. Hoje, diante da mobilidade elétrica, surge novamente uma oportunidade histórica de reposicionamento.

A eletrificação do transporte tornou-se uma prioridade global em razão da necessidade de reduzir emissões de carbono, do avanço tecnológico em baterias e do surgimento de novos modelos industriais baseados em eletrônica e software.

Entre os países que lideram essa transformação, três exemplos oferecem lições importantes: China, Noruega e Alemanha.

Experiências internacionais mostram caminhos para a mobilidade elétrica

A China tornou-se a maior potência global no setor de veículos elétricos, concentrando mais da metade das vendas mundiais.

Empresas como a BYD e a CATL exemplificam essa liderança.

O avanço chinês é resultado de uma estratégia industrial de longo prazo baseada em forte investimento estatal em inovação, desenvolvimento da cadeia de baterias e incentivos à produção e à adoção de veículos elétricos.

Na Noruega, cerca de 80% dos carros novos vendidos já são elétricos.

Esse avanço foi impulsionado por incentivos diretos ao consumidor, como: isenção de impostos, redução de tarifas de circulação e expansão acelerada da infraestrutura de recarga. O país demonstra como políticas públicas consistentes podem acelerar a adoção de novas tecnologias.

Para o Brasil, talvez o exemplo mais relevante seja o da Alemanha.
Com uma indústria automotiva especializada, o país decidiu enfrentar a transição energética sem abandonar sua base produtiva.
A estratégia alemã baseou-se na reconversão da indústria automotiva tradicional, em investimentos em pesquisa e inovação em baterias e no desenvolvimento de cadeias produtivas integradas na Europa.
Montadoras como Volkswagen e BMW investiram bilhões na transformação de suas plataformas industriais.
Ao mesmo tempo, universidades, centros tecnológicos e institutos de pesquisa passaram a atuar de forma integrada no desenvolvimento de novas soluções energéticas.

O Brasil, apesar de possuir um dos maiores mercados automotivos do mundo, ainda enfrenta limitações estruturais na mobilidade elétrica.

Entre os principais desafios estão a baixa produção local de baterias, a dependência de importação de componentes críticos, a infraestrutura de recarga ainda limitada e a necessidade de maior integração entre indústria, pesquisa e políticas públicas.

Ao mesmo tempo, o país possui vantagens importantes: uma matriz energética majoritariamente renovável, um grande mercado consumidor e uma tradição industrial consolidada.

Grande ABC reúne ativos industriais estratégicos

Mobilidade Elétrica - Carros Elétricos
(Imagem: Freepik)

Diante desse cenário, a região do Grande ABC reúne ativos industriais que poucas regiões do país possuem. Nosso parque automotivo está consolidado, contamos com uma ampla rede de fornecedores industriais, capital humano qualificado e importantes centros de formação técnica e engenharia.

Nesse contexto, iniciativas locais já demonstram o potencial da região para liderar esse novo ciclo industrial. O CIESP São Bernardo do Campo busca manter o diálogo com entidades como a Agencia de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, no intuito de aproximar o setor produtivo, instituições de ensino e o poder público para impulsionar projetos ligados à inovação e à nova indústria da mobilidade elétrica.

Na cidade de São Bernardo do Campo temos a Eletra, empresa associada a nossa entidade e que é referência nacional em eletromobilidade. A Eletra é líder na produção de ônibus elétricos puros e, como empresa 100% brasileira, foi pioneira na introdução dessa tecnologia no país, demonstrando que a indústria nacional tem capacidade de desenvolver soluções avançadas em mobilidade sustentável.

Recentemente também tivemos a oportunidade de aprofundar esse debate em um encontro com o Instituto Brasileiro de Mobilidade Elétrica, reforçando o compromisso do CIESP SBC com a inovação e com o desenvolvimento de soluções para o futuro da mobilidade no Brasil. O encontro trouxe discussões relevantes sobre o avanço da mobilidade elétrica, oportunidades de colaboração entre empresas e instituições, além de caminhos para fortalecer o ecossistema do setor com tecnologia, conhecimento técnico e integração entre diferentes agentes do mercado.

Conhecimento e inovação como base do novo ciclo industrial

Sabemos que a transição para a mobilidade elétrica exige novas competências. Muitas delas podem ser desenvolvidas a partir da infraestrutura industrial e dos centros de ensino da região, como SENAI, FEI, Instituto Mauá, FATEC, ETECs, SESI, Universidade Metodista, USCS, Universidade Federal, entre outras instituições.

Se conseguirmos articular política industrial, inovação tecnológica e cooperação entre o setor produtivo e as instituições de pesquisa, a região poderá novamente assumir um papel central no desenvolvimento da indústria automotiva brasileira.

A mobilidade elétrica representa uma mudança tecnológica global. Para o Grande ABC, ela pode representar também uma nova oportunidade de protagonismo industrial.

Mauro Miaguti

Mauro Miaguti
(Divulgação)

Mauro é diretor titular do CIESP SBC.

  • Publicado: 10/03/2026
  • Alterado: 10/03/2026
  • Autor: 10/03/2026
  • Fonte: Assessoria