Mitos e verdades sobre anestesia
Em 16 de outubro, Dia Mundial da Anestesia, especialista explica mitos e verdades sobre o procedimento que transformou a medicina moderna
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 15/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O marco zero da medicina moderna está cravado na história no dia 16 de outubro de 1846. Foi nesta data que o dentista americano Thomas Green Morton realizou a primeira demonstração pública bem-sucedida da anestesia geral com éter, pondo fim à era das cirurgias feitas sob extrema dor. O método revolucionário chegou ao Brasil no ano seguinte, transformando a prática cirúrgica e elevando os padrões de segurança e conforto do paciente.
De lá para cá, o avanço foi monumental. Atualmente, a especialidade de Anestesiologia conta com 29.358 médicos no Brasil, segundo dados da Demografia Médica 2023 da Associação Médica Brasileira (AMB). Estes profissionais são a base da segurança hospitalar, acompanhando o paciente desde a avaliação prévia até a recuperação pós-cirúrgica, monitorando cada sinal vital para assegurar total estabilidade e bem-estar.
O anestesiologista moderno é um especialista que une ciência de ponta, tecnologia e profunda empatia. Como explica o professor de anestesiologia e clínica da dor da Afya Ribeirão Preto, Dr. Moisés Neves, a atuação do profissional vai muito além da aplicação da injeção: ele atua em todas as etapas do cuidado perioperatório. “Com o avanço de dispositivos de monitoramento e técnicas cada vez mais seguras, o anestesiologista exerce um papel humano e acolhedor, oferecendo conforto emocional e reafirmando a anestesiologia como uma especialidade que cuida não apenas do corpo, mas também da experiência humana diante da cirurgia,” afirma o especialista.
Leia também: Para que serve a anestesia? Especialista explica procedimento
7 Mitos e Verdades Desvendados Pelo Anestesiologista

Apesar de ser um procedimento comum e seguro, a anestesia ainda é cercada por dúvidas e receios populares. Para esclarecer os questionamentos mais frequentes da população, o Dr. Moisés Neves desmistifica os conceitos e explica o funcionamento desse procedimento essencial para a segurança e o conforto do paciente.
1. “A anestesia é só uma injeção para tirar a dor?”
Mito.
Esta é uma das maiores simplificações sobre a área. O ato anestésico é, na verdade, um ato médico complexo que engloba muito mais do que apenas a eliminação da dor. Trata-se de um conjunto de técnicas e medicações que visam controlar simultaneamente a dor, a consciência, o tônus muscular e, o mais importante, as funções vitais. Durante todo o procedimento, o anestesiologista é o responsável por monitorar parâmetros cruciais como a frequência cardíaca, a pressão arterial, a oxigenação e a respiração, ajustando as doses a cada segundo para garantir a estabilidade do paciente.
2. “Posso não acordar depois da anestesia?”
Verdade – Mas o risco é raríssimo.
Graças aos contínuos avanços da medicina, a segurança da anestesia moderna é altíssima, tornando esse risco extremamente baixo. As técnicas atuais são precisas e os dispositivos de monitoramento são extremamente sensíveis. O anestesiologista ajusta continuamente as doses para manter a estabilidade do paciente. O que pode acontecer, em casos pontuais, é uma sonolência mais prolongada após o fim da cirurgia, principalmente em pacientes com doenças graves ou idosos.
3. “A anestesia pode me deixar acordado durante a cirurgia?”
Depende.
Nas anestesias gerais modernas, esse risco é praticamente eliminado, pois os equipamentos monitoram ativamente o nível de consciência do paciente. Contudo, em casos de anestesia regional (como a raquidiana ou a peridural), é intencional que o paciente esteja acordado, mas completamente sem sentir dor. Portanto, estar consciente não significa, em hipótese alguma, sentir dor ou sofrimento. O anestesiologista mantém a comunicação e o conforto emocional nesses casos.
A Importância do Profissionalismo e da Avaliação Prévia
4. “Crianças e idosos correm mais risco com anestesia?”
Geralmente, sim – mas com preparo adequado, é segura.
Crianças e idosos são grupos que exigem atenção redobrada. Eles apresentam um metabolismo e uma sensibilidade diferentes a variações fisiológicas e a medicamentos. Por essa razão, a avaliação pré-anestésica se torna um passo absolutamente fundamental, permitindo ao anestesiologista conhecer doenças pré-existentes, histórico de alergias e medicamentos em uso. Com um preparo adequado e a monitorização contínua, a anestesia pode ser realizada de forma segura em qualquer faixa etária.
5. “Não posso comer antes da anestesia?”
Verdade.
O jejum antes da anestesia é uma medida de segurança inegociável, pois é essencial para evitar uma complicação gravíssima: a aspiração de conteúdo gástrico. Quando o estômago não está vazio, o alimento pode ir para os pulmões durante o procedimento, causando danos severos. O tempo de jejum varia de 2 a 8 horas, e o anestesiologista deve orientar o paciente precisamente sobre esta regra.
6. “O anestesista só aplica a anestesia e vai embora?”
Mito.
O anestesiologista é o médico responsável pela segurança do paciente durante toda a jornada cirúrgica. Sua responsabilidade começa na avaliação pré-anestésica e se estende muito além da aplicação inicial. Ele deve permanecer ao lado do paciente em tempo integral, controlando dor, respiração, circulação e temperatura até o despertar na sala de recuperação pós-anestésica.
7. “A anestesia demora para sair do corpo?”
Depende.
O tempo de eliminação varia consideravelmente, sendo ditado pelo tipo de anestesia e pelo metabolismo individual de cada paciente. Em anestesias regionais, é comum e até desejável que o efeito permaneça por algumas horas, oferecendo conforto no pós-operatório imediato. Já nas anestesias gerais, a recuperação do nível de consciência é geralmente rápida, e o paciente acorda em minutos após o término da cirurgia, sob os cuidados constantes do anestesiologista.