Milei sobre o Mercosul: “Não há 10 anos a desperdiçar”

Durante cúpula em Foz do Iguaçu, Javier Milei atacou a burocracia que travou o acordo com a União Europeia e defendeu maior agilidade comercial das nações

Crédito: Reprodução/X

O presidente da Argentina, Javier Milei, subiu o tom contra a estrutura burocrática do Mercosul durante a Cúpula de Líderes realizada em Foz do Iguaçu neste sábado (20). Em um discurso enfático, Milei lamentou o novo adiamento do acordo de livre comércio com a União Europeia — que estava previsto para ser assinado hoje — e alertou que os países sul-americanos “não têm mais dez anos para desperdiçar em discussões administrativas”.

Para o líder argentino, a demora histórica nas negociações é um reflexo da incapacidade do bloco em responder com agilidade às demandas do mercado global. “O tempo que esses acordos têm levado não corresponde aos desafios que temos pela frente nem às necessidades econômicas de nossas nações”, pontuou Javier Milei, reforçando sua insatisfação com o atual modelo de negociação conjunta.

Críticas de Javier Milei ao modelo “monolítico” e aos vetos europeus

A resistência interna em países do continente europeu, que barrou o tratado na última hora, foi classificada por Javier Milei como um exemplo emblemático de ineficiência. Ele argumentou que a tentativa de avançar de forma rígida e unificada acaba por anular oportunidades de crescimento para os países membros.

“A experiência demonstra que, quando o Mercosul tenta avançar de forma monolítica, os processos se alongam e as oportunidades se perdem”, afirmou o presidente. Javier Milei destacou ainda que a existência de atores contrários à concorrência e com capacidade de veto prolonga uma relação comercial que deveria ter sido estabelecida há décadas, subordinando a economia à “eternidade da burocracia”.

O impasse em Foz do Iguaçu

A Cúpula de Foz do Iguaçu era aguardada como o marco final para o tratado Mercosul-UE, um projeto que se arrasta há mais de 25 anos. No entanto, o recuo de setores agrícolas europeus e pressões políticas locais impediram a conclusão do texto. No plenário, Javier Milei deixou claro que a paciência argentina com o formato atual do bloco está no limite, defendendo que a política não pode travar a oportunidade econômica.

“O tempo da oportunidade econômica é sempre breve e não pode ser subordinado à eternidade da burocracia e da política”, completou o mandatário. A postura de Javier Milei sinaliza uma pressão crescente por reformas que permitam aos países membros negociar acordos bilaterais de forma independente, caso o bloco não consiga entregar resultados coletivos em curto prazo.

Repercussão e futuro do bloco

A fala de Javier Milei ecoou entre as delegações presentes, evidenciando as fissuras ideológicas sobre como o Mercosul deve se posicionar frente ao mundo. Enquanto alguns líderes defendem a proteção de setores sensíveis, a Argentina de Milei aposta na abertura total como única saída para a crise econômica que assola a região.

O desfecho da cúpula sem a assinatura do acordo deixa o futuro das relações transatlânticas em aberto para 2026, sob a sombra das críticas severas de Javier Milei à falta de agilidade e ao peso do Estado nas decisões comerciais.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 20/12/2025
  • Fonte: Secult PMSCS