Michelle Bolsonaro detalha atrito com Flávio Bolsonaro

Michelle Bolsonaro afirma ter sido desrespeitada por Flávio Bolsonaro, expõe atritos internos no PL e comenta bastidores da crise política envolvendo o partido

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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (24) que seu enteado mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a desrespeitou, a maltratou e deixou implícito que não queria seu apoio à pré-candidatura à Presidência da República.

Ela divulgou dois vídeos nas redes sociais, nos quais também critica a aproximação do PL com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará, e comenta ataques que teriam ocorrido após declarar apoio ao senador Eduardo Girão (Novo-CE).

A Michelle Bolsonaro relatou que Flávio a criticou publicamente antes de falar diretamente com ela e, ao retornar a ligação, teria sido ríspido, afirmando que ela deveria se manter fora das decisões partidárias e que não teria experiência política.

“Voltando ao Flávio, telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou.

Ela acrescentou que, após o episódio, decidiu se afastar: “Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha, e assim permaneço”.

Flávio reage após vídeos e aumenta tensão familiar

Michelle Bolsonaro - Flávio Bolsonaro
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Após a repercussão, o senador publicou um vídeo na mesma noite, vestindo uma camisa da seleção brasileira, dizendo que era “dia de jogo” e que “hoje, nada nem ninguém me aborrece”.

Sem citar nomes, Michelle Bolsonaro afirmou que é tratada “como se fosse idiota” e alvo de versões falsas disseminadas na imprensa, incluindo a narrativa de que estaria contrariada por não ter sido escolhida como candidata presidencial. Ela declarou que, no momento, sua prioridade não são disputas eleitorais, mas a família e o marido.

Michelle Bolsonaro também destacou sua atuação à frente do PL Mulher, afirmando que ampliou o número de mulheres eleitas, mas que ainda é tratada por Flávio e aliados como alguém sem entendimento político.

Ela afirmou ainda que o enteado frequenta sua casa semanalmente e que, se desejasse diálogo, já teria procurado contato. Segundo ela, os fatos relatados ocorreram antes da definição política feita por Jair Bolsonaro em favor do filho mais velho.

“Tudo bem. Eu me recolhi. E desde esse dia ele não me procurou mais. E eu também não o procurei mais porque estou respeitando o que ele falou e é só isso”, disse.

“O Flávio vai à minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio, já teria conversado. Estou na minha. Continuarei recolhida”, prosseguiu.

Michelle Bolsonaro e a disputa política no Ceará e as críticas a Ciro Gomes

Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro deveriam dividir palanque pela primeira vez no dia 10, no Ceará, durante o lançamento das candidaturas de Priscila Costa (PL), aliada dela, e Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes, ao Senado.

Como gesto de alinhamento político, ela havia declarado que estaria ao lado do senador no evento. No entanto, aliados relataram que grupos ligados a André Fernandes e a Ciro Gomes passaram a disseminar informações negativas sobre ela, o que poderia gerar hostilidade no evento.

Diante disso, ela decidiu gravar vídeos para evitar desgaste público.

Nos registros, critica a aliança com Ciro e defende o apoio ao senador Eduardo Girão, a quem chama de único representante verdadeiramente de direita no estado, além de defender a candidatura de Priscila Costa ao Senado.

Afirmou ainda que tem sido alvo de “mentiras e perseguições”, incluindo ataques coordenados e notícias falsas, que também seriam motivadas por disputas internas e machismo político.

A crise familiar se intensificou após o episódio envolvendo o palanque no Ceará, quando ela criticou a articulação política de André Fernandes com Ciro Gomes. Na ocasião, Flávio Bolsonaro e outros irmãos, Eduardo, Carlos e Jair Renan, se posicionaram contra a madrasta nas redes sociais, em defesa de Fernandes.

Segundo ela, as mensagens foram semelhantes e organizadas: “Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros”.

Críticas a Ciro Gomes, bastidores do PL e decisão de recuo

Nos vídeos divulgados, a ex-primeira-dama afirmou que não concorda com a aliança com Ciro Gomes, a quem atribuiu ataques ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à família.

Segundo ela, o político teria feito ofensas como chamá-lo de “ladrão de galinhas”, “corrupto”, “burro” e “jumento”, além de atacar familiares e aliados políticos.

Afirmou também que não pretende abrir mão de seus valores por conveniência política e que não impede alianças de terceiros, mas discorda da composição no primeiro turno.

Nos bastidores, aliados afirmam que a decisão de gravar os vídeos ocorreu após a circulação de rumores de que ela poderia ser vaiada no evento no Ceará, além de supostas notícias falsas atribuídas a adversários internos.

Michelle Bolsonaro também contestou versões de que teria exigido pedido público de desculpas dos filhos do ex-presidente ou o fim da aliança com Ciro como condição para apoiar Flávio Bolsonaro.

O episódio reforça a disputa interna no grupo político, que já vinha se arrastando desde dezembro, quando divergências sobre alianças no Ceará provocaram novos atritos entre familiares e aliados do PL.

  • Publicado: 25/06/2026 09:34
  • Alterado: 25/06/2026 09:34
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: FOLHAPRESS