Meta avança em IA que converte ondas cerebrais em texto
A tecnologia não invasiva usa sensores magnéticos para ler a atividade cerebral e gerar frases na tela em tempo real com alta precisão.
- Publicado: 30/06/2026 10:55
- Alterado: 30/06/2026 10:55
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Meta
A Meta desenvolveu um sistema de inteligência artificial capaz de ler ondas magnéticas do cérebro e traduzir pensamentos humanos em palavras escritas. O projeto, batizado de Brain2Qwerty v2, permite que a digitação ocorra sem a necessidade de cirurgias ou implantes invasivos de chips. O sistema capta os sinais através de uma espécie de capacete externo.
A validação científica da descoberta foi publicada na prestigiada revista Nature Neuroscience. A pesquisa detalha a evolução do equipamento, que agora automatiza e acelera todo o processo de decodificação neural em tempo real.
Como a Meta processa os sinais neurais
O funcionamento da tecnologia baseia-se em um exame chamado magnetoencefalografia (MEG). Os pesquisadores registraram a atividade elétrica cerebral de nove voluntários saudáveis ao longo de dez horas. A inteligência artificial da Meta mapeou exatamente quais áreas do cérebro eram ativadas durante a tentativa de digitação física ou mental das letras.
O sistema decodifica os dados brutos e gera o texto instantaneamente na tela. O modelo conta com um corretor preditivo de linguagem integrado para antecipar palavras e evitar erros de construção.
Os testes recentes demonstraram uma precisão média de 61%, alcançando picos de 78%. Métodos não invasivos anteriores registravam taxas máximas de acerto de apenas 8%.
Impacto médico e democratização do acesso
As soluções atuais para devolver a comunicação a pacientes com paralisia severa exigem procedimentos cirúrgicos complexos para a inserção de chips. Os implantes cerebrais apresentam altos custos e riscos de infecção grave. O novo equipamento elimina essas barreiras médicas.
A inovação liderada pela Meta pode restaurar a autonomia de vítimas de AVC grave e pessoas diagnosticadas com esclerose lateral amiotrófica (ELA). Esses pacientes mantêm plena capacidade cognitiva, mas perdem a habilidade de movimentar os músculos e articular a fala.
Evolução dos sensores
Os equipamentos atuais de leitura neural possuem dimensões comparáveis a grandes scanners hospitalares. A miniaturização dos componentes representa o próximo passo do desenvolvimento científico.
“A expectativa é que a tecnologia encolha rapidamente e caiba em um acessório de cabeça comum e acessível no futuro”, ressaltou a equipe de pesquisadores do projeto.
Os códigos de treinamento do Brain2Qwerty foram disponibilizados gratuitamente. O conjunto de dados inicial, criado junto ao Basque Center on Cognition, Brain, and Language, está aberto para download global. A iniciativa garante que cientistas de diversas áreas possam aperfeiçoar a tecnologia da Meta.