Mercado imobiliário do ABC perde força em fevereiro

Vendas caíram 35,28% e locações recuaram 21,07% na região, em movimento de ajuste após janeiro mais aquecido

Crédito: (Divulgação/PMSBC)

Depois de um início de ano mais aquecido, o mercado imobiliário do ABC Paulista perdeu ritmo em fevereiro de 2026 e registrou queda tanto nas vendas de imóveis quanto nos contratos de locação. O recuo foi de 35,28% nas vendas e de 21,07% nas locações, segundo levantamento regional feito com corretores e imobiliárias das sete cidades do ABC. Os números da CRESCISP indicam um movimento de correção após o dinamismo observado em janeiro e sugerem maior cautela de compradores, locatários e agentes do setor diante do cenário econômico e das condições de crédito.

Apesar da retração, o comportamento do mercado imobiliário do ABC seguiu alguns padrões já consolidados na região. Os apartamentos continuaram liderando as vendas, com 64% das transações, enquanto as casas representaram 36%. Já no mercado de locação, o cenário foi inverso: as casas responderam por 60% dos contratos, contra 40% dos apartamentos, reforçando a preferência por imóveis com mais espaço e privacidade para aluguel.

Outro dado que chama atenção é a mudança no perfil dos imóveis negociados. Nas vendas, houve concentração maior em unidades de valor mais elevado, enquanto nas locações o mercado se manteve mais concentrado em faixas intermediárias de aluguel.

Compradores migraram para imóveis mais caros

Vendas de imóveis usados caem pelo 3º mês consecutivo em todo o Estado de SP -Mercado Imobiliário no ABC - mercado imobiliário do ABC
(Imagem/Unsplash)

Em fevereiro, o mercado de compra e venda no ABC Paulista mostrou uma mudança importante no padrão de preço. As transações passaram a se concentrar sobretudo nas faixas acima de R$ 501 mil (32,4%), entre R$ 401 mil e R$ 500 mil (23,5%) e entre R$ 201 mil e R$ 300 mil (23,5%). Na prática, isso mostra que a procura migrou para imóveis mais valorizados, enquanto as negociações abaixo de R$ 200 mil, que ainda apareciam em janeiro, simplesmente desapareceram do levantamento de fevereiro.

O perfil dos imóveis vendidos também reforça uma lógica já comum no mercado regional: busca por plantas mais funcionais e de tamanho intermediário. Entre as casas vendidas, predominaram unidades com três dormitórios e metragem entre 101 m² e 200 m². Já entre os apartamentos vendidos, a maior concentração foi de imóveis com dois dormitórios e área útil entre 51 m² e 100 m².

Na localização, houve uma mudança relevante em relação a janeiro no mercado imobiliário do ABC. Em fevereiro, os imóveis vendidos se concentraram mais nas demais regiões urbanas (41%), seguidos pelas regiões nobres (30,8%) e pelos bairros centrais (28,2%). Esse deslocamento sugere uma busca maior por custo-benefício fora dos eixos mais valorizados e centrais, o que pode refletir maior seletividade dos compradores em meio ao custo total da operação.

O financiamento também mudou de perfil. A participação da Caixa Econômica Federal caiu de forma significativa e passou a responder por 26,3% das compras, enquanto outros bancos assumiram a liderança com 42,1%. As compras à vista também ganharam peso, chegando a 23,7%, enquanto as negociações diretas com proprietário representaram 7,9%. O dado sugere um mercado mais pulverizado nas fontes de financiamento e um ambiente em que parte dos compradores parece ter buscado mais flexibilidade de crédito ou maior liquidez para fechar negócio.

Outro termômetro importante do setor no mercado imobiliário do ABC está no nível de negociação. Em fevereiro, 44,1% dos imóveis foram vendidos com desconto de até 5% abaixo do valor anunciado, enquanto 29,4% saíram exatamente pelo preço pedido. Isso mostra que, apesar da retração, o mercado ainda não entrou em um ciclo de liquidação agressiva, mas já opera com margem de negociação relevante.

Locação mantém força no mercado imobiliário do ABC

Apartamentos
(Tomaz Silva/Agência Brasil)

No mercado de locação, o comportamento foi diferente. Mesmo com a queda de 21,07% nos contratos em relação a janeiro, a procura por imóveis para aluguel seguiu relativamente estável em seu perfil no mercado imobiliário do ABC. As casas continuaram liderando o segmento, representando 60% dos contratos, enquanto os apartamentos ficaram com 40%.

Entre as casas alugadas, a maior parte tinha dois dormitórios, com distribuição de metragem entre até 50 m², 51 m² a 100 m² e 101 m² a 200 m². Já os apartamentos alugados se concentraram principalmente em unidades com dois dormitórios e área útil entre 51 m² e 100 m², reforçando a preferência regional por imóveis compactos, funcionais e mais adaptáveis ao orçamento mensal das famílias.

As faixas de aluguel também ajudam a desenhar esse cenário. A maior concentração ficou entre R$ 1.001 e R$ 1.500, faixa que respondeu por 37,5% dos contratos. Em seguida aparecem os contratos entre R$ 2.001 e R$ 3.000 (18,8%) e os alugueis acima de R$ 3.001 (18,8%), mostrando que ainda há espaço relevante para imóveis com ticket mais alto, especialmente em unidades maiores ou mais bem localizadas.

Um dos movimentos mais marcantes do mês foi a volta do peso dos bairros centrais no aluguel. Em fevereiro, essas regiões concentraram 57% das locações, bem acima do observado em janeiro. As demais regiões urbanas responderam por 34%, enquanto as áreas nobres ficaram com 9%. O dado sugere um retorno da valorização da centralidade, especialmente em um mercado em que proximidade de serviços, mobilidade e infraestrutura costuma pesar fortemente na decisão de locação.

Entre as garantias locatícias, o depósito caução voltou a liderar, com 49% dos contratos, seguido pelo seguro-fiança, com 40,8%. O fiador reapareceu em 8,2% dos contratos, indicando alguma flexibilização nas formas de fechamento das locações.

No saldo geral, fevereiro representou um mês de ajuste, e não necessariamente de crise, para o mercado imobiliário do ABC Paulista. O setor perdeu força depois de janeiro, mas manteve características consistentes de demanda. Se houver estabilidade econômica e manutenção das condições de crédito, a tendência é de retomada gradual ao longo do semestre, ainda que com um consumidor mais seletivo, atento ao preço, ao financiamento e à localização do imóvel.

  • Publicado: 01/04/2026 16:37
  • Alterado: 01/04/2026 17:51
  • Autor: Edvaldo Barone
  • Fonte: CRECISP