Mercado eleva projeção da inflação pela 16ª semana seguida
Relatório Focus aponta alta no IPCA e estabilidade na Selic, enquanto expectativas para o PIB seguem moderadas para os próximos anos
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 03/02/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O Relatório Focus, que compila as expectativas do mercado financeiro sobre a economia brasileira, apontou um aumento na previsão do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pela 16ª semana consecutiva. A mediana das projeções para 2025 subiu de 5,50% para 5,51%, superando em 1,01 ponto percentual o teto da meta estabelecida pelo governo, que é de 4,50%. Há um mês, a expectativa era de 4,99%. Para o ano de 2026, a previsão também foi elevada, passando de 4,22% para 4,28%, em comparação com os 4,03% do mês anterior.
A partir deste ano, a meta de inflação será avaliada continuamente, levando em conta a variação acumulada em um período de 12 meses. O centro da meta permanece fixado em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Caso o IPCA se mantenha fora desse intervalo por seis meses consecutivos, será considerado que o Banco Central não atingiu seu objetivo.
Selic se mantém estável, mas projeções seguem elevadas
No que diz respeito à taxa Selic, a mediana das previsões para o fim de 2025 manteve-se em 15% pela quarta semana consecutiva. Recentemente, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada no dia 29 de março, a taxa foi elevada de 12,25% para 13,25%, com sinalização para um novo aumento de 1 ponto percentual na próxima reunião, prevista para março. A expectativa para os juros ao final de 2026 também permaneceu inalterada em 12,50%, enquanto um mês atrás estava em 12,0%. A projeção intermediária para o final de 2027 seguiu em 10,38%, acima dos 10,0% observados quatro semanas antes. Para o ano de 2028, a previsão se estabilizou em 10,0%, mantendo-se assim por seis semanas consecutivas.
O Copom destacou que a elevação da taxa Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflação rumo à meta ao longo do horizonte relevante da política monetária. As expectativas do colegiado indicam uma inflação projetada de 5,2% para 2025 e uma expectativa de redução para 4,0% no terceiro trimestre de 2026.
Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a mediana das previsões permanece estável em um crescimento de 2,06% para o ano de 2025. No mês anterior, essa estimativa era ligeiramente inferior, com uma previsão de crescimento de 2,02%. Para o ano seguinte (2026), a expectativa é de um crescimento moderado de 1,72%, comparado aos 1,80% registrados anteriormente. Para o ano de 2027 e para 2028, as projeções se mantêm em um crescimento estável de aproximadamente 1,96% e 2%, respectivamente.
Conforme indicado no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do Banco Central, espera-se que a economia brasileira cresça cerca de 3,50% em 2024 e alcance um crescimento modesto de 2,10% neste ano.
Por fim, o Relatório Focus revelou que a previsão para a inflação dos preços administrados em 2025 aumentou ligeiramente de 4,83% para 4,85%, enquanto a projeção para o ano seguinte se manteve estável em torno de 4,19%. Quatro semanas atrás essa expectativa era ainda menor: apenas 4,00%. O Banco Central prevê uma inflação dos preços administrados em torno de 5,2% este ano e uma desaceleração para aproximadamente 4,6% nos doze meses até o terceiro trimestre de 2026.