Médico alerta para riscos de procedimentos estéticos virais

Procedimentos estéticos em alta nas redes sociais, como a harmonização padronizada, geram resultados artificiais e ignoram a anatomia

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O avanço de filtros em redes sociais e as tendências virais da internet transformaram profundamente a busca por procedimentos estéticos no Brasil. No entanto, o desejo de alcançar resultados milagrosos ou replicar uma imagem digital no mundo real tem acendido o alerta em consultórios médicos devido ao aumento de casos de insatisfação e perda da identidade facial.

Para o Dr. Carlucio Ragognete, cirurgião plástico da face com mais de 20 anos de experiência, formado pela Universidade do Vale do Sapucaí, a banalização de tratamentos complexos é um risco à saúde e à harmonia dos pacientes.

“O rosto não deve ser conduzido por tendências. Deve ser conduzido por diagnóstico. Quando um procedimento passa a ser indicado porque está em alta e não porque existe necessidade real, o risco de frustração e de resultados artificiais aumenta consideravelmente”, adverte o especialista.

A análise do especialista sobre os riscos das redes

procedimentos estéticos
Foto: Freepik

O médico listou as principais práticas comuns na internet que demandam cautela imediata por parte dos pacientes, detalhando os impactos de cada uma:

Excesso de preenchimentos faciais: O uso repetido e sem critérios de substâncias injetáveis deforma as proporções da face. “O preenchimento não deve ser utilizado para modificar completamente uma face. Quando ele passa a ser repetido indiscriminadamente, existe o risco de perdermos justamente aquilo que torna aquele rosto único”, comenta.

Harmonização padronizada: A tentativa de criar rostos idênticos aos das celebridades ignora a beleza da individualidade. “A maior beleza de um rosto está na sua individualidade. Quando todos buscam o mesmo padrão, o resultado é uma geração de rostos cada vez mais parecidos entre si”, afirma o médico.

Uso indiscriminado de bioestimuladores: Injetáveis para flacidez não resolvem todas as etapas do envelhecimento. “Existe uma falsa percepção de que estimular o colágeno resolve qualquer problema relacionado ao envelhecimento. A realidade é que cada estrutura da face envelhece de uma forma diferente e exige tratamentos específicos”, explica.

Profissionais sem preparo anatômico: A execução de técnicas por quem não domina a medicina estética eleva as chances de sequelas graves. “A anatomia facial é extremamente complexa. Um procedimento aparentemente simples pode trazer consequências importantes quando realizado sem o conhecimento adequado”, relata.

Fios de sustentação e técnicas ‘milagrosas’: Promessas de rejuvenescimento rápido e sem cortes não substituem a cirurgia plástica quando há indicação clara. “Nenhuma técnica deve ser apresentada como solução para todos os pacientes. O problema começa quando se cria a expectativa de que um procedimento simples entregará um resultado que apenas uma cirurgia consegue proporcionar”, pontua.

Filtros digitais como meta: Telas criam imagens sem textura e inalcançáveis no consultório. “Muitas pessoas chegam ao consultório tentando reproduzir uma versão digital de si mesmas. O problema é que os filtros criam uma imagem artificial que não respeita a anatomia humana”, conclui.

O especialista ressalta que o foco de qualquer abordagem estética deve ser pautado na segurança. “Em medicina estética, a qualidade da indicação é muito mais importante do que a quantidade de procedimentos realizados”, finaliza, lembrando que o melhor resultado é aquele que preserva a identidade e valoriza as características individuais do paciente.

  • Publicado: 25/06/2026 16:14
  • Alterado: 25/06/2026 16:14
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria