Medicamentos para câncer de mama prometidos pelo SUS ainda indisponíveis

Atraso de Protocolo Impede Tratamento Avançado do Câncer de Mama no SUS.

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Em dezembro de 2021, o Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou medicamentos essenciais para tratar o câncer de mama mais comum no Brasil. Contudo, esses medicamentos ainda não estão disponíveis devido à ausência do novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). Este documento, crucial para a definição das melhores práticas no tratamento da doença, aguarda publicação pelo Ministério da Saúde.

Os inibidores de ciclina, como abemaciclibe, palbociclibe e succinato de ribociclibe, aprovados pela Conitec em 2021, são fundamentais para o tratamento do câncer de mama metastático hormonal e HER2 positivo. No entanto, apesar da promessa de publicação do PCDT pela ministra da Saúde, Nísia Trindade, para novembro passado, a efetiva disponibilização desses medicamentos ainda está pendente.

Segundo especialistas, como a oncologista Renata Arakelian, 70% das pacientes diagnosticadas com câncer de mama possuem tumores hormonais, com muitas evoluindo para metástases. Os inibidores de ciclina têm o potencial de prolongar a vida e melhorar a qualidade de vida dessas pacientes. Contudo, sem acesso a eles no SUS, mulheres atendidas na rede pública estão em desvantagem em comparação às que recebem tratamento na saúde suplementar.

A demora na publicação do PCDT e na disponibilização dos medicamentos evidencia um desafio persistente no sistema público de saúde brasileiro: o atraso na incorporação de tecnologias vitais para o tratamento oncológico. Com cerca de 74 mil novos casos esperados anualmente até 2025, é urgente que o Ministério da Saúde agilize esse processo para garantir equidade no tratamento e melhorar os desfechos clínicos das pacientes com câncer de mama metastático.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 04/12/2024
  • Fonte: FERVER