Mauá: União em destaque na luta por igualdade racial
Ações do Mês da Consciência Negra incentivam o Conselho Municipal e reforçam a união de grupos como a chave para avançar na Luta por Igualdade Racial
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 02/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A Luta por Igualdade Racial ganhou um destaque crucial em Mauá com o encerramento do Mês da Consciência Negra de 2025. A cerimônia, realizada na noite de sexta-feira, 28 de novembro, na quadra do Jardim São João, foi aberta pela Escola de Samba Acadêmicos do São João, que entoou os versos emocionantes de “Canto das Três Raças”, de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, canção notória na voz de Clara Nunes que relata o lamento do índio e o canto de revolta do negro no Quilombo dos Palmares. O evento contou com a presença de autoridades e representantes de diversas comunidades do município.
Diversos discursos foram proferidos, e todos convergiram em uma mensagem principal de forte impacto social: a união dos segmentos sociais é um fator facilitador na Luta por Igualdade Racial, por direitos e pela conquista de avanços sociais. O encontro também foi marcado pela nova homenagem a Jaci Cesário, o patrono escolhido para o Mês da Consciência Negra 2025, que é um dos fundadores do grupo Catira Às de Ouro, tombado pelo Patrimônio Histórico de Mauá.
A Força da União na Luta por Igualdade Racial

Os líderes presentes no evento enfatizaram que a solidariedade entre os grupos é o caminho para o progresso. Mestre Del, representante da capoeira, foi categórico ao defender: “Tudo é resistência e vamos trabalhar juntos”.
A Ialorixá Mãe Solange reforçou o clamor pela união, lembrando a importância da mobilização para a retomada do potencial cultural de Mauá. Ela destacou que as escolas de samba da cidade já foram responsáveis por organizar o segundo melhor carnaval de todo o estado de São Paulo, um feito que precisa ser resgatado. “É um início. Para que todos se unam”, afirmou, sublinhando a necessidade de preservar e valorizar as manifestações culturais como a capoeira, o Hip Hop e o samba.
Mãe Solange também apresentou uma reflexão incisiva sobre a disparidade da representação: “Se o Brasil tem 56% de negros, como podemos ter menos que 30% de representação no Congresso?” O questionamento sublinha o cerne da Luta por Igualdade Racial e a necessidade de espaços de poder.
A necessidade de combater a divisão e o fortalecimento de políticas públicas

O secretário de Relações Institucionais, Edilson de Paula, ecoou a importância da coesão, parafraseando o Mestre Valdenor ao afirmar que “Não podemos aceitar a divisão”. O secretário ressaltou que a atuação conjunta é essencial para obter resultados mais eficazes na gestão e na discussão de políticas públicas. “Teremos resultados melhores se estivermos juntos para discutir políticas públicas e debater o que o povo precisa e merece”, garantiu.
O mês de celebração da Luta por Igualdade Racial, que honra a trajetória de Zumbi dos Palmares, foi pautado pelo fortalecimento de políticas públicas antirracistas pela Secretaria de Relações Institucionais da Prefeitura de Mauá. Entre as ações cruciais, destaca-se o incentivo à criação da lei que institui o Conselho Municipal de Igualdade Racial.
Essa nova legislação busca a união de diferentes grupos — matriz africana, imigrantes e indígenas — e contou com a importante representatividade dos sete grupos de trabalho que atuaram ativamente durante as comemorações, promovendo debates e discutindo as demandas da sociedade.
- Grupos de Trabalho Atuantes:
- Juventude negra;
- Mulheres negras;
- Capoeira;
- Pais e mães de santo;
- Cultura, samba, pagode;
- Indígenas, ciganos e imigrantes;
- Afroempreendedores.
Outra ação de grande relevância no mapeamento sociopolítico foi o cadastramento de centros de umbanda e candomblé, com o objetivo de traçar um mapeamento sociocultural detalhado no município.
Formação e Letramento: Construindo uma Mauá antirracista
A Prefeitura de Mauá investiu, desde o início do ano, em formação contínua para seus servidores municipais. O objetivo central é qualificar o atendimento em uma perspectiva antirracista e combater a xenofobia, garantindo que pessoas estrangeiras, negras e povos originários recebam tratamento digno e respeitoso.
O letramento racial, que oferece orientações sobre a história e Cultura do povo negro, assim como debates antirracistas e sobre a igualdade étnica, foi amplamente desenvolvido em diversos bairros da cidade. As rodas de conversa e os debates atingiram uma vasta rede de locais:
- Escolas de samba;
- Associações de moradores;
- Academias de capoeira;
- Centros de umbanda e candomblé;
- Casa do Hip Hop;
- Câmara Municipal;
- Clubes de Mães, Fundação Casa, Centro POP;
- Escolas estaduais e Guarda Municipal;
- Praças e unidades do SESI dos Jardins Adelina e Zaíra.
No total, foram realizadas cerca de 30 rodas de conversa, envolvendo um público de mais de 600 pessoas dedicadas a debater e valorizar a cultura afrodescendente no Brasil e consolidar a Luta por Igualdade Racial no cotidiano da cidade.
Cultura reconhecida e público recorde

A mobilização do Mês da Consciência Negra somou seis atividades culturais principais, com destaque para o grande público. A abertura das comemorações reuniu quase 500 pessoas. Outras atividades incluíram a palestra com Mestre Valdenor, a sessão solene, e a importante comemoração do Dia da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha, alcançando uma participação total de mais de duas mil pessoas nos eventos do mês.
O esforço pela valorização cultural também obteve reconhecimento institucional significativo: um terreiro, a União das Escolas de Samba de Mauá (Uesma) e outras escolas de samba foram reconhecidos pelo Ministério da Cultura como Pontos de Cultura.