Marcelo Lima reassume presidência do Consórcio ABC e evita imprensa
Após decisão do STJ que revogou seu afastamento, Marcelo Lima retorna ao cargo e participa de assembleia marcada por homenagens às GCMs
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 14/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima, voltou a ocupar nesta terça-feira (14) a presidência do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, em sua primeira aparição pública na entidade desde que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou as medidas cautelares que o afastaram do cargo por um ano.
O retorno de Marcelo foi marcado por um clima de expectativa e silêncio: o chefe do Executivo não concedeu entrevistas e não respondeu às perguntas da imprensa.
A assembleia geral ordinária foi realizada na sede do Consórcio, em Santo André, e contou com a presença de seis prefeitos da região, apenas Marcelo Oliveir, de Mauá, não esteve presente.
O encontro teve como pautas principais a homenagem às Guardas Civis Municipais (GCMs) pelo encerramento do primeiro ciclo do programa ABC + Seguro e a deliberação sobre ações conjuntas na área da segurança pública. A entrega de drones e a coletiva de imprensa previstas na convocação oficial foram canceladas de última hora.
Retorno político após decisão do STJ
Marcelo Lima reassume o comando do Consórcio e da Prefeitura de São Bernardo após decisão do ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do STJ, que considerou o afastamento “desproporcional” e sem riscos atuais às investigações.
O magistrado atendeu a um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou não haver elementos suficientes para a continuidade das medidas restritivas impostas ao prefeito.
Em sua decisão, o ministro destacou que manter o prefeito Marcelo Lima fora do cargo por tanto tempo configurava uma espécie de “cassação judicial temporária” de mandato eletivo, sem condenação definitiva. O texto também ressaltou que as investigações estavam avançadas e que não havia indícios de interferência por parte de Lima no processo.
A volta do prefeito Marcelo Lima reacende o debate político no ABC, uma vez que o afastamento de Lima, em agosto, ocorreu no âmbito da Operação Estafeta, da Polícia Federal, que apura um suposto esquema de corrupção e ocultação de bens em contratos municipais.
Durante a operação, foram apreendidos cerca de R$ 14 milhões com um servidor público apontado como operador financeiro do prefeito. O caso segue sob investigação.
Silêncio e expectativa marcam a assembleia
Apesar de estar oficialmente restabelecido ao cargo, Marcelo Lima manteve discrição, não se pronunciou publicamente sobre o processo judicial nem sobre sua retomada à presidência do Consórcio. A expectativa era de que ele falasse após o encontro, mas a assessoria confirmou o cancelamento da coletiva.
Com a ausência de declarações do presidente, coube ao vice-presidente do Consórcio e prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi, conduzir o balanço das ações conjuntas e comentar o andamento do programa ABC + Seguro. Segundo Volpi, o trabalho integrado das forças de segurança foi “impressionante” e gerou resultados positivos para todos os municípios.
“O programa foi exitoso demais, foi criar essa intimidade entre as GCMs e o convênio. A sinergia entre as forças policiais foi impressionante. O maior resultado é a sensação de segurança que o Consórcio pôde dar à população da região”, destacou Volpi.
O prefeito de Ribeirão Pires afirmou ainda que o programa terá continuidade e novas etapas previstas para 2026, incluindo ações específicas voltadas à Lei Maria da Penha.
“Isso se perpetua agora, que a gente lança com a Lei Maria da Penha em novembro, e segue já com a programação de 2026 em diante. É uma coisa que veio pra ficar”, completou.
Cancelamento da entrega de drones e foco na integração

Durante a assembleia, também estava prevista a entrega de drones e equipamentos de monitoramento, adquiridos pelo Consórcio para reforçar a segurança nos sete municípios. A cerimônia, porém, foi suspensa, e não houve nova data anunciada.
Mesmo sem a entrega, Guto Volpi reafirmou o compromisso das cidades com o uso de tecnologia em segurança pública:
“Já vamos entregar logo mais drone, moto e veículo, falando de tecnologia. São Caetano lançou o Smart Sanka, Santo André já na sequência, Diadema também. A gente vai blindar o ABC todo”, disse.
Clima político e próximos passos
A retomada de Marcelo Lima à presidência do Consórcio ocorre em meio a um cenário político delicado. Embora o STJ tenha suspendido o afastamento, as investigações continuam e o prefeito ainda precisa comunicar à Justiça caso se ausente por mais de sete dias.
Internamente, há especulações sobre mudanças nas prioridades do colegiado e sobre a influência do episódio na relação entre os prefeitos da região.
Guto Volpi encerrou a reunião reforçando o compromisso da entidade com a continuidade dos projetos regionais e destacando a importância da integração.
“Segurança foi por onde a gente começou essa integração regional. Vai ter um resultado fenomenal e se perpetua”, disse o vice-presidente ao final da assembleia.
Sem declarações públicas de Marcelo Lima, o evento terminou sem incidentes e sem previsão para nova coletiva. O Consórcio deve divulgar nos próximos dias uma nota oficial com as deliberações da reunião e as próximas etapas do Programa ABC + Seguro.
O que é o Consórcio Intermunicipal Grande ABC
Criado em 1990, o Consórcio Intermunicipal Grande ABC é uma associação pública que reúne os sete municípios da região (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) com o objetivo de promover integração regional e gestão compartilhada de políticas públicas.
A entidade atua em áreas como mobilidade urbana, meio ambiente, saúde, educação, desenvolvimento econômico e segurança.
Ao longo dos anos, o Consórcio se consolidou como um dos principais instrumentos de cooperação entre cidades no Brasil, servindo de modelo para outras regiões metropolitanas. A presidência é exercida de forma rotativa entre os prefeitos, com mandato anual.
O retorno de Marcelo Lima à presidência simboliza não apenas uma reorganização política regional, mas também o desafio de recompor a credibilidade institucional da entidade em um momento de instabilidade e de expectativas em torno das investigações ainda em curso.