TV 3.0 no Brasil: CEO da Soul TV vê impacto gradual em 2026

Ricardo Godoy, CEO da Soul TV, explica por que a implantação do novo padrão digital será pontual em 2026 e revela o potencial de interatividade da TV 3.0

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A chegada da TV 3.0 no Brasil, prevista para ter seu início em 2026, promete redesenhar a experiência do telespectador. Com potencial para entregar altíssima qualidade de imagem e som, além de uma interatividade inédita, o novo padrão tecnológico é aclamado como a “televisão do futuro“. No entanto, a revolução não será imediata.

Em entrevista exclusiva, Ricardo Godoy, CEO da Soul TV — uma plataforma de streaming com mais de 700 mil usuários em 197 países —, compartilha uma visão estratégica sobre o cenário que se desenha. Segundo o executivo, os primeiros passos da TV 3.0 serão marcados pela cautela e por uma adoção gradual, focada em avanços pontuais e restritos a algumas emissoras que se anteciparem.

Ricardo Godoy, CEO e fundador da Soul TV - ABc Cast Conexões
Ricardo Godoy (Edvaldo Barone/ABCdoABC)

O Impacto da TV 3.0 no Brasil: avanço pontual e lento início

Apesar do entusiasmo com as novas funcionalidades, como a personalização de conteúdo e a interatividade em tempo real, Godoy ressalta a importância de gerenciar as expectativas. “A TV 3.0 no Brasil vai iniciar uma nova fase, mas o impacto será pontual e gradual”, afirma o CEO. A lentidão inicial está ligada diretamente à necessidade de preparação da infraestrutura e do ecossistema de negócios.

Para 2026, o cenário será de adaptação. Muitas emissoras ainda estarão em fase de transição e readequação de seus sistemas. Por essa razão, os recursos mais avançados devem ser implementados de forma isolada, principalmente pelas emissoras com maior poder de investimento. A transmissão do sinal, por ser a etapa mais simples de ser implementada, será o primeiro avanço visível, preparando o terreno para o que virá a seguir.

A conexão do ecossistema: fatores-chave para a plena adoção

Para que a TV 3.0 no Brasil alcance seu potencial máximo, é essencial que a cadeia de negócios se consolide. O desafio envolve diversos players do mercado, desde os fabricantes de equipamentos até os produtores de conteúdo, passando por anunciantes e operadoras.

  • Equipamentos Compatíveis: O CEO da Soul TV alerta que a abrangência da nova tecnologia será limitada no começo. “No início, haverá poucos televisores capazes de receber o sinal da TV 3.0”, explica Godoy. A adesão em massa dependerá do ritmo de substituição dos aparelhos antigos pelos novos, compatíveis com o sinal de terceira geração.
  • A Consolidação da Cadeia de Valor: A interatividade e a personalização exigem um novo modelo de negócio. A integração entre broadcast e internet precisa ser aprimorada, garantindo que anunciantes possam explorar novas oportunidades comerciais, e que produtores de conteúdo se adaptem à demanda por formatos mais dinâmicos.

A Soul TV, com sua experiência em streaming global, atua como um laboratório para o CEO entender a transformação do consumo de conteúdo. “Nossa experiência me dá uma visão privilegiada sobre como o público consome conteúdo globalmente e como novas tecnologias, como a TV 3.0, podem transformar a forma de assistir TV e interagir com a programação”, pontua Ricardo Godoy. A plataforma, que une o melhor da TV linear com a flexibilidade do streaming, já demonstra o caminho da convergência.

O verdadeiro potencial da TV 3.0 chega em 5 anos

Apesar do início pontual, a expectativa é de que a TV 3.0 comece a mostrar seu verdadeiro potencial nos próximos cinco anos. Godoy projeta que esse período será suficiente para que as emissoras maiores consolidem as novas funcionalidades e para que os equipamentos compatíveis cheguem a uma fatia maior do mercado.

A revolução é inevitável e traz oportunidades importantes:

  1. Experiência Renovada: Imagem de altíssima qualidade (potencial para 4K e 8K) e som imersivo.
  2. Interatividade em Foco: O público deixará de ser passivo e poderá interagir com a programação, como votar em enquetes ou acessar informações extras.
  3. Personalização: Conteúdo e publicidade poderão ser segmentados conforme o perfil do usuário, elevando o valor para anunciantes.
  4. T-Commerce: A televisão se torna um canal direto de vendas, permitindo a compra de produtos exibidos na tela em tempo real.

O CEO finaliza com uma mensagem clara: O futuro da TV já começou, e a jornada rumo à transformação está apenas começando. E 2026 será o ponto de partida para algo muito maior”. A TV 3.0 no Brasil é a convergência definitiva entre o tradicional broadcast e a internet, prometendo transformar a sala de estar em um ambiente totalmente conectado e ativo.

  • Publicado: 05/02/2026
  • Alterado: 05/02/2026
  • Autor: 14/10/2025
  • Fonte: Whindersson Nunes