Manifestação do Dia do Trabalhador exige fim da escala 6x1 no Rio de Janeiro
Cinelândia mobiliza trabalhadores no Dia do Trabalhador: protesto contra a escala 6x1 une movimentos sociais e clama por dignidade e direitos.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 01/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
No Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, a Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, foi palco de uma significativa manifestação que abordou a proposta de eliminação da escala 6×1, mantendo os salários inalterados. O evento contou com a participação de diversos representantes de movimentos sociais, centrais sindicais e sindicatos, incluindo o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), entre outros.
Wesley Fábio, coordenador nacional do Movimento VAT, enfatizou a relevância histórica do dia, afirmando que a data foi escolhida para levar à rua um clamor pela extinção dessa escala. A proposta do movimento visa mobilizar trabalhadores em todo o país para contestar o regime que impõe seis dias de trabalho e apenas um dia de folga semanal. “Os trabalhadores estão retomando o controle sobre suas reivindicações e o que realmente impacta suas vidas. Acreditamos que essa manifestação servirá como uma resposta ao Congresso Nacional e ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, demonstrando que a classe trabalhadora está unida e exige o fim da escala 6×1”, declarou Fábio à Agência Brasil.
Roberto Santana Santos, representante da Central Intersindical da Classe Trabalhadora, apontou que o ato na Cinelândia representa apenas o começo de uma série de mobilizações em nível nacional. “Acreditamos que somente através da mobilização nas ruas conseguiremos obter força política suficiente para abolir essa escala que ainda é considerada escravocrata e afeta milhões de trabalhadores no Brasil. Essa luta unificou centrais sindicais, movimentos populares e associações comunitárias. O tema ganhou destaque nas redes sociais e está sendo amplamente discutido pela população”, afirmou.
Odisséia Carvalho, membro do Conselho Fiscal do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe), também ressaltou outras pautas essenciais do Dia do Trabalhador, como a igualdade salarial entre gêneros, isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5 mil e a valorização do salário mínimo. “Essas são lutas fundamentais. É imperativo garantir esses direitos e avançar na conquista de novos”, expressou Carvalho à Agência Brasil.
Hugo Silva, presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), trouxe à tona a importância da redução da jornada de trabalho para a juventude brasileira. Ele mencionou que muitos estudantes se veem forçados a trabalhar no mercado informal devido às restrições impostas pela escala 6×1. “Esses jovens muitas vezes abandonam os estudos para buscar empregos informais por causa dessa carga horária excessiva. Lutamos por dignidade e pelo direito à educação e ao lazer”, afirmou.
O bancário Marcelo Rodrigues da Silva, integrante da Secretaria de Meio Ambiente da CUT-RJ, destacou o caráter histórico das comemorações do Dia do Trabalhador, lembrando as lutas passadas que culminaram na criação desta data. “Todo 1º de Maio é um momento para celebrar as conquistas dos trabalhadores e relembrar as batalhas travadas contra regimes autoritários. Hoje continuamos lutando por questões ambientais, igualdade racial e contra a homofobia”, observou.
A origem do Dia do Trabalhador remonta a uma greve geral realizada em Chicago em 1886, onde trabalhadores demandavam uma jornada de trabalho de oito horas e melhores condições laborais. Os confrontos resultaram em prisões e mortes entre os manifestantes.
A manifestação deste ano teve início com apresentações artísticas e batalhas de rimas antes das falas dos líderes presentes. O evento está programado para se encerrar às 20h. No entanto, o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) convocou um protesto adicional para sexta-feira (2), incentivando todos a permanecerem em casa em apoio à causa contra a escala 6×1.