Maioria do pequeno varejo fatura até R$ 10 mil mensais
Pesquisa do Sebrae-SP mapeia perfil financeiro e digital de 350 mil empresas do setor e aponta tendências para 2025.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 05/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O pequeno varejo de vestuário, calçados e acessórios concentra a maior parte de seu faturamento na faixa de até R$ 10 mil mensais. Essa realidade financeira reflete o cenário de 352,4 mil empresas mapeadas pelo estudo “Comércio varejista, desafios e oportunidades 2025”, realizado pelo Sebrae-SP.
O levantamento indica que o investimento inicial médio para abrir as portas nesse segmento gira em torno de R$ 12.365,56. A pesquisa detalha como microempreendedores individuais (MEIs) e pequenas empresas operam em um mercado cada vez mais híbrido e competitivo.
Panorama financeiro do setor
Os dados confirmam que o faturamento modesto é a regra para a maioria. Cerca de 67% dos empreendimentos registram ganhos médios de R$ 10 mil. Ao refinar a análise, nota-se que quase metade das empresas (48%) opera com teto de R$ 7 mil mensais.
Apenas uma pequena parcela dos negócios, aproximadamente 17%, consegue romper a barreira dos R$ 30 mil mensais. O desempenho financeiro do pequeno varejo de vestuário também depende diretamente do tíquete médio, que hoje está em R$ 137,07.
Existem variações regionais importantes nesse indicador de consumo:
- São Paulo (Capital): R$ 150,03
- Região Metropolitana: R$ 135,88
- Interior do Estado: R$ 129,73
Digitalização no pequeno varejo de vestuário
Embora a tecnologia avance, a loja de rua mantém sua hegemonia e está presente em 79% dos negócios. O modelo exclusivamente online representa apenas 15% do total, o que derruba o mito de que o físico morreu.
A tendência dominante é o modelo híbrido. Mais da metade dos empresários (56%) já integram balcão físico e canais digitais. Nesse contexto, as redes sociais funcionam como vitrines indispensáveis: 29% dos empreendedores utilizam Instagram, Facebook ou WhatsApp como principal motor de vendas.
Entre as plataformas de marketplace, a Shopee lidera a preferência, citada por 30% das empresas que priorizam canais digitais. Para ter sucesso no pequeno varejo de vestuário, o marketing digital não é mais opcional, mas uma ferramenta de sobrevivência.
“A pesquisa revela que boa parte dos empreendedores que têm loja física entendeu a necessidade de combinar esse modelo de atuação com vendas no ambiente digital e o uso das redes sociais para manter a competitividade no mercado.” — Pedro João Gonçalves, consultor do Sebrae-SP.
Perfil empreendedor e sustentabilidade
A motivação para entrar no comércio de moda muitas vezes nasce da necessidade ou do sonho de autonomia. Metade dos atuais donos de negócio trabalhavam com carteira assinada anteriormente. A busca por independência (29%) e o desejo de materializar uma paixão (23%) são os principais impulsionadores.
Fatores decisivos para o sucesso segundo os entrevistados:
- Marketing: Divulgar bem os produtos (70%).
- Serviço: Bom atendimento ao cliente (62%).
- Portfólio: Produtos de qualidade (59%).
A sustentabilidade também ganha tração. O uso de embalagens ecológicas já está no radar de 46% dos gestores, enquanto 86% afirmam aplicar conceitos de economia circular. Essa adaptação às novas demandas de consumo e a integração entre o físico e o digital definirão quem sobreviverá no competitivo mercado do pequeno varejo de vestuário.