Maioria dos brasileiros não usa IA generativa, diz pesquisa
Pesquisa revela que 93% dos brasileiros usam IA no dia a dia, mas adoção de ferramentas generativas como ChatGPT ainda é baixa; entenda os dados!
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 19/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Um novo levantamento realizado pelo Datafolha em parceria com o Observatório da Fundação Itaú revelou que, apesar da presença significativa de recursos de inteligência artificial na vida cotidiana dos brasileiros, a adoção de ferramentas de IA generativa, como o ChatGPT, ainda é limitada.
De acordo com os dados, uma impressionante maioria de 93% dos entrevistados afirmou utilizar algum tipo de inteligência artificial em suas atividades diárias. Entre esses, 89% acessam redes sociais que empregam algoritmos inteligentes e 78% utilizam serviços com sistemas de recomendação, como Netflix e YouTube. Além disso, 63% fazem uso de ferramentas de navegação como Waze e Google Maps.
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No entanto, ao serem questionados sobre ferramentas específicas de IA generativa — que são projetadas para criar conteúdo — os números mostram uma queda acentuada. Cerca de 57% dos participantes admitiram nunca ter utilizado plataformas de geração de texto, enquanto 69% afirmaram não usar sistemas que geram imagens, como o Midjourney. Esses dados sugerem que o uso da IA no Brasil tende a ser mais passivo, sendo integrado em serviços já consolidados, ao invés de uma interação ativa com novas tecnologias.
Alan Valadares, coordenador do Observatório da Fundação Itaú, comentou sobre a pesquisa: “Os avanços da IA generativa são relativamente recentes e exigem um uso mais deliberado. A intenção foi captar uma visão ampla sobre como a IA se manifesta na vida das pessoas, mesmo quando seu uso é menos intencional”.
A amostra do estudo incluiu 2.798 pessoas maiores de 16 anos, abrangendo diversas regiões do Brasil entre os dias 7 e 15 de julho. A margem de erro para o total da amostra é estimada em dois pontos percentuais com um nível de confiança de 95%.
Os resultados indicam que aproximadamente três quartos dos entrevistados reconhecem a presença da inteligência artificial em suas rotinas diárias, com 32% afirmando que a tecnologia é extremamente prevalente em suas vidas. Embora 82% tenham ouvido falar sobre inteligência artificial, há uma falta de compreensão clara: 46% dos entrevistados confessaram não saber o significado do termo.
Quando questionados sobre a definição da tecnologia, muitos (36%) mencionaram suas aplicações práticas, como buscar informações ou criar vídeos. Apenas 14% se referiram a aspectos técnicos operacionais da inteligência artificial.
A pesquisa também sugere que as ferramentas de inteligência artificial estão se posicionando para transformar as dinâmicas das buscas online, tradicionalmente dominadas por mecanismos como o Google. Aproximadamente 58% dos entrevistados utilizam IA para pesquisas sobre temas variados e 56% para resumir documentos ou responder questões complexas.
Em relação ao impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho, a população está dividida: 49% acreditam que a tecnologia representa uma ameaça aos seus empregos, enquanto 51% discordam dessa afirmação. Entretanto, 41% relataram ter conhecimento de casos onde a IA substituiu profissionais.
O estudo também avaliou as percepções sobre os riscos associados à IA. Os principais receios incluem a coleta descontrolada de dados pessoais (42%), o uso malicioso da tecnologia (36%) e a possibilidade de desemprego em massa (34%). A preocupação com a proliferação de notícias falsas ficou em quarto lugar, citada por 31% dos entrevistados.
Esses resultados ressaltam um certo temor em relação ao potencial da inteligência artificial entre os brasileiros. Apesar disso, há também reconhecimento das oportunidades oferecidas pela tecnologia: 41% acreditam que a IA pode contribuir significativamente para avanços na ciência e inovação e melhorar a qualidade da educação.
A maioria dos participantes (69%) considera que a IA é um recurso valioso para seus estudos, e 75% relataram ter aprendido algo novo através dessas ferramentas. No entanto, demonstraram um uso crítico: 56% afirmaram sempre verificar as informações fornecidas pela IA.
Valadares finalizou destacando: “A pesquisa reforça a necessidade urgente de promover uma agenda informativa acerca do tema”. Surpreendentemente, seis em cada dez entrevistados manifestaram interesse em aprender mais sobre inteligência artificial.