Maiores devedores de IPTU em São Paulo são os maiores apoiadores de Doria
Donos do Grupo Savoy devem R$ 86,2 milhões de IPTU e são responsáveis por 800 mil reais de doação à campanha do candidato tucano ao governo de São Paulo
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 04/10/2018
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Uma das maiores empresas imobiliárias da cidade de São Paulo, o Grupo Savoy, já esteve envolvido em algumas matérias de jornais ao longo de uma década. Em 2009, dona de três shoppings na capital paulista, considerado o maior dono de imóveis da cidade, aparecia no cadastro da dívida ativa municipal com um débito de R$ 86,2 milhões, ou 57% da dívida total do setor, segundo matéria publicada na Folha de São Paulo. E são os donos do Grupo Savoy que aparecem como os maiores doares de campanha de 2018 do líder nas pesquisas para o governo de São Paulo, João Dória.
Os dados constam no site do TSE contendo todas as doações realizadas até o momento para os candidatos nas eleições de 2018. As regras de doação eleitoral permitem apenas que pessoas físicas façam doações para as campanhas, realizadas com recibo assinado pelo doador, com um valor limite de 10% dos rendimentos brutos do ano anterior. Como a Lei da Ficha Limpa não cabe aos doadores, a nova lei eleitoral prevê apenas restrição de doação de pessoas jurídicas ou pessoas físicas que exerçam atividade comercial decorrente de concessão ou permissão pública.
O patriarca do grupo, Hugo Enéas Salomone, aparece no topo dos doadores com a quantia de R$ 350 mil, representando 4,2% dos doadores oficiais da campanha de João Dória. Os herdeiros Hugo Cesar Salomone, com R$ 150 mil, Renata Carvalho Salomone, Humberto Salomone Neto e Ana Stella Amaral Salomone, com R$ 100 mil cada, completam a lista de doadores do Grupo Savoy.
Estes são algumas das curiosidades encontradas nas listas de doadores dos principais candidatos ao Governo do Estado de São Paulo. Para saber o nome do doador basta acessar o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e clicar no nome de cada um dos candidatos.
O IMPÉRIO EM MANCHETE
Em 2011, a Folha de São Paulo publicou que o Grupo Savoy era a discreta “dona de São Paulo”, acumulando até aquele ano ao menos 180.000 m2 comerciais na cidade, 93.000 m2 só na região central, onde foram contabilizados 17 prédios inteiros”. Em 2011 em nova manchete, o jornalista Luis Nassif publicou em seu blog no site da Carta Maior, que a Savoy Imobiliária Construtora estava na disputa pela reintegração de posse da chamada Favela do Savoy, onde moravam mais de 700 famílias em Carapicuíba, em São Paulo. A disputa era por um terreno de 66 mil metros quadrados.
Contrariando a discrição com que todos os membros do Grupo Savoy circulavam pela elite paulista, em novembro de 2017 a Revista Veja São Paulo publicou matéria com a estilista Andressa Salomone, herdeira do império e neta do patriarca, Hugo Enéas Salomone, como uma das maiores consumidoras de artigos de luxo do país.
A Lava-jato pode ser considerada umas das maiores investigações já realizadas no país e que culminou com a eliminação da doação de campanhas por empresas nas eleições, que abusavam de doações ilegais e caixa 2. O novo cenário de doações, com um formato individual e pessoal, permite verificar o caminho do novo tipo de financiamento de campanha para possível cooptação da máquina pública.