Maduro alega sequestro e se declara inocente em tribunal nos EUA

Em Nova York, o ex-líder nega narcoterrorismo e afirma a juiz federal ser um "presidente sequestrado" durante sua primeira audiência.

Crédito: RS/Fotos Públicas

O julgamento de Maduro, presidente da Venezuela, teve início na tarde desta segunda-feira (5) em um tribunal federal de Nova York, sob forte esquema de segurança e atenção midiática global. A audiência inaugural foi marcada pela declaração desafiadora do réu, que se apresentou ao magistrado não apenas para rejeitar as acusações, mas para denunciar sua captura como um ato ilegal.

A expectativa jurídica é que o juiz responsável, Alvin Hellerstein, determine a prisão preventiva imediata do político e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos enfrentam um processo complexo que envolve múltiplas agências de inteligência norte-americanas.

Maduro e a tensão na primeira audiência

O réu compareceu à corte vestindo uma camisa azul-marinho sob o tradicional uniforme laranja de detento. Utilizando fones de ouvido para tradução simultânea, Maduro sentou-se ao lado de Cilia, que trajava vestimentas similares. Ao ser questionado sobre sua identificação, o venezuelano optou por um discurso político em vez de uma resposta protocolar.

“Sou o presidente da Venezuela e estou aqui sequestrado.”

A declaração foi feita em espanhol, reafirmando sua inocência. Durante a fala inicial, ao mencionar detalhes sobre sua captura na residência oficial na Venezuela, o ex-líder foi prontamente interrompido pelo juiz Hellerstein. O magistrado esclareceu que aquele não era o momento processual adequado para discutir as circunstâncias da detenção.

Acusações de narcotráfico e conexões globais

O Departamento de Justiça dos EUA sustenta que Maduro lidera o “Cartel de los Soles”, uma organização criminosa composta por altas autoridades políticas e militares venezuelanas. As investigações apontam para décadas de colaboração com grupos terroristas e cartéis internacionais.

Entre as acusações formais apresentadas no último sábado, destacam-se:

  • Narcoterrorismo: Uso da estrutura estatal para tráfico de drogas.
  • Conspiração: Importação massiva de cocaína para os Estados Unidos.
  • Posse ilegal de armas: Utilização de armamento militar para proteção de rotas de tráfico.

Os promotores alegam que a rede supervisionada por Maduro colaborou diretamente com organizações violentas, incluindo os cartéis mexicanos Sinaloa e Zetas, o grupo paramilitar colombiano Farc e a gangue venezuelana Tren de Aragua.

Cenário externo e próximos passos

Enquanto a audiência ocorria, o clima do lado de fora do tribunal refletia a polarização política em torno da figura do ex-ditador. Manifestantes se dividiram entre críticas à intervenção norte-americana e celebrações pela prisão, separados por barreiras de segurança para evitar confrontos físicos.

Especialistas jurídicos e a mídia norte-americana especulam que o trâmite legal será longo. A complexidade das provas e o número de testemunhas podem estender o processo por mais de um ano, mantendo o foco internacional sobre o destino judicial de Maduro.

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  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 05/01/2026
  • Fonte: Fever