Maduro afirma ter apoio da ONU em crise dos petroleiros

Nicolás Maduro diz contar com suporte do Conselho de Segurança para garantir livre navegação da Venezuela

Maduro afirma ter apoio da ONU em crise dos petroleiros

Crédito: RS/FotosPúblicas

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, elevou o tom das críticas contra o governo dos Estados Unidos após a recente apreensão de petroleiros na costa do país. Durante uma visita a uma feira comercial em Caracas nesta terça-feira (23), o líder chavista classificou as operações navais norte-americanas como atos de “pirataria internacional” e “roubo descarado”. A reação ocorre após Washington intensificar o cerco militar no Caribe, sob a justificativa de combate ao narcotráfico.

Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, Maduro afirmou que o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) manifestou “apoio incondicional” ao direito da Venezuela de exercer o livre comércio. A declaração surge após uma reunião de emergência solicitada por Caracas para conter as tensões crescentes com Washington, que busca asfixiar as receitas petrolíferas do país sul-americano.

Tensão no Caribe e o papel do Conselho de Segurança

De acordo com Maduro, esta foi a segunda sessão emergencial na ONU desde outubro para discutir as atividades militares dos EUA na região. “O Conselho de Segurança está oferecendo apoio incondicional à Venezuela e ao nosso direito à livre navegação”, assegurou o mandatário. Enquanto Caracas busca respaldo diplomático, os Estados Unidos reforçaram, durante a mesma reunião, a intenção de aplicar sanções ainda mais rigorosas para privar o governo chavista de recursos financeiros.

A postura desafiadora de Maduro é amparada pelo alinhamento estratégico com potências como Rússia e China. Moscou, inclusive, emitiu um alerta global, sugerindo que outras nações latino-americanas poderiam sofrer intervenções semelhantes caso o precedente das apreensões de petroleiros seja consolidado sem resistência internacional.

Bloqueio naval e acusações de narcoterrorismo contra Maduro

A crise atingiu um novo patamar com a mobilização de aeronaves e um grupo de ataque naval norte-americano no Caribe e no Pacífico. Embora a Casa Branca utilize o pretexto do combate ao tráfico de drogas e ao grupo conhecido como Cartel de Los Soles, a legalidade das operações tem sido questionada por observadores internacionais.

O cenário de confronto direto se agravou após os seguintes eventos:

  • Ultimato: Informações indicam que Maduro teria recebido um prazo para renunciar ao cargo, o qual foi ignorado pelo líder venezuelano.
  • Rótulo de Terrorismo: O governo dos EUA passou a classificar formalmente o governo de Maduro como parte de uma organização terrorista estrangeira.
  • Bloqueio Total: Donald Trump anunciou a implementação de um bloqueio naval completo contra embarcações sancionadas, declarando que não permitirá a navegação de petroleiros vinculados ao regime sem controle rigoroso.

Estratégias para o cenário pós-Maduro

Fontes diplomáticas indicam que a administração americana já elabora estratégias para uma possível transição de poder, embora decisões sobre um ataque militar direto ainda não tenham sido tomadas. Para Maduro, no entanto, a resistência é a única saída. “Ninguém será capaz de derrotar a Venezuela”, garantiu ele, reforçando que o país continuará buscando rotas comerciais apesar do cerco naval.

Especialistas em geopolítica alertam que a militarização do Caribe coloca a região em uma rota de colisão perigosa. Enquanto os EUA buscam cortar o fluxo de petróleo bruto — a principal fonte de sobrevivência do governo chavista — a retórica de Maduro foca na soberania nacional e na denúncia do que chama de práticas ilegais de guerra econômica em alto-mar.

  • Publicado: 24/12/2025 00:36
  • Alterado: 24/12/2025 00:36
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Governo da Venezuela