Lula rebate os EUA sobre taxas e confirma ida ao G7

Presidente Lula critica nova taxação americana de 25% e confirma ida à cúpula do G7 para defender soberania do Brasil

Crédito: Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra o governo dos Estados Unidos nesta quarta-feira (03), durante a abertura da segunda reunião ministerial do ano, no Palácio do Planalto. A reação ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) recomendar uma nova taxação de 25% sobre produtos brasileiros, quebrando um acordo recente de trégua costurado entre os dois países.

“Esse país não adotará mais a política de vira-lata diante das grandes potências”, afirmou o presidente.

Lula demonstrou surpresa com o novo comunicado americano, explicando que, em reunião bilateral com o presidente Donald Trump no início de maio, em Washington, havia ficado acertado um prazo de 30 dias para negociações entre as equipes técnicas antes de qualquer nova medida tarifária.

Retaliação e a Diplomacia do Diálogo

Trump e Lula. Amcham
Ricardo Stuckert/Presidência da República

A nova ameaça de sobretaxa aprofunda uma crise comercial iniciada em julho de 2025, quando as primeiras tarifas americanas foram impostas ao mercado brasileiro. De acordo com Lula, o Brasil não recorrerá a “bravatas”, mas manterá uma postura firme na defesa de sua soberania econômica.

Na última terça-feira (2/6), o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento) e Dario Durigan (Fazenda) divulgaram uma nota técnica detalhada rebatendo os argumentos do USTR e contestando juridicamente a insensatez da punição comercial aos produtos nacionais.

Mudança de Planos: Lula Confirma Ida ao G7

lula
Ricardo Stuckert/PR

Como reflexo direto do acirramento das tensões comerciais, o presidente anunciou que alterou sua agenda internacional e vai participar da próxima cúpula do G7, que acontece na França no dia 15 de junho de 2026. O grupo reúne as maiores economias do bloco ocidental, incluindo os próprios Estados Unidos.

“Eu nem ia ao G7. Agora eu vou. Porque é preciso alguém tentar colocar ordem nessa coisa que está acontecendo de desmonte do multilateralismo e desvalorização das instituições”, justificou Lula.

No fórum internacional, o chefe do Executivo brasileiro pretende levar o debate sobre o protecionismo econômico e reforçar a necessidade de reestruturação de organismos globais, defendendo a tese de que a Organização das Nações Unidas (ONU) e o seu Conselho de Segurança precisam ser fortalecidos e reformulados para evitar sanções unilaterais arbitrárias.

  • Publicado: 03/06/2026 18:08
  • Alterado: 03/06/2026 18:08
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Governo Federal