Lula critica conflito no Oriente Médio e fala em “guerra da insensatez”
Presidente comenta tensão entre Estados Unidos e Irã e defende negociação como alternativa ao avanço das hostilidades
- Publicado: 21/04/2026 14:05
- Alterado: 21/04/2026 14:09
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “guerra da insensatez” o atual cenário de tensão no Oriente Médio, ao comentar a possibilidade de retomada de hostilidades envolvendo Estados Unidos e Irã. A declaração foi feita durante conversa com jornalistas na Alemanha, onde o chefe do Executivo cumpre agenda internacional.
A fala ocorre em meio à indefinição sobre uma nova rodada de negociações entre os dois países, o que reacende preocupações sobre uma escalada no conflito. Lula criticou o caminho adotado pelas potências e defendeu a retomada do diálogo como principal instrumento para evitar agravamento da crise.
Presidente retoma acordo de 2010 e critica condução internacional
Durante a declaração, Lula voltou a mencionar o acordo firmado em 2010 entre Brasil, Turquia e Irã, que tratava do programa nuclear iraniano. Segundo ele, a proposta poderia ter evitado o cenário atual, mas acabou não sendo aceita por Estados Unidos e União Europeia.
Ao abordar o tema, o presidente afirmou que “aquilo que os americanos querem que o Irã faça com o urânio já foi objeto de um acordo firmado em 2010”, acrescentando que a rejeição à proposta contribuiu para a manutenção do impasse ao longo dos anos.
Na avaliação do governo brasileiro, a retomada das discussões sobre o mesmo ponto evidencia uma falha na condução das negociações anteriores e reforça a necessidade de soluções diplomáticas mais consistentes.
Impactos econômicos entram no centro da preocupação

Lula também associou o avanço das tensões internacionais a efeitos diretos na economia global e no cotidiano da população. Ao tratar das consequências do conflito, destacou que a instabilidade pode pressionar preços e afetar setores essenciais.
Segundo o presidente, o custo da escalada geopolítica não se limita ao campo diplomático ou militar. Ele afirmou que “quem vai pagar o preço disso é a pessoa que vai comprar carne, feijão, arroz”, além de citar o impacto no preço dos combustíveis, com reflexos diretos sobre trabalhadores como caminhoneiros.
A declaração reforça a leitura de que crises internacionais tendem a gerar efeitos em cadeia, atingindo economias nacionais e ampliando pressões sobre o custo de vida.
Defesa da negociação marca posicionamento brasileiro
Ao longo da fala, Lula insistiu na ideia de que conflitos dessa natureza poderiam ser evitados com maior disposição para o diálogo. Ele argumentou que a capacidade de negociação deveria prevalecer sobre demonstrações de força, especialmente entre grandes potências.
Para o presidente, soluções diplomáticas continuam sendo o caminho mais eficaz para evitar perdas humanas e reduzir impactos econômicos globais. A posição se insere na tradição da política externa brasileira de defesa do multilateralismo e da resolução pacífica de conflitos.