Cármen Lúcia vota por condenação de Eduardo Bolsonaro no STF

Ministra do STF segue relator em ação movida por Tabata Amaral; julgamento está 2 a 0 e segue no plenário virtual

Crédito: (Divulgação/STF)

A ministra Cármen Lúcia votou para condenar Eduardo Bolsonaro por difamação contra a deputada Tabata Amaral, em julgamento que ocorre no plenário virtual do Supremo Tribunal Federal. Com a decisão, a votação chegou a dois votos favoráveis à condenação, acompanhando o entendimento do relator Alexandre de Moraes.

O caso tem origem em uma publicação feita pelo então deputado em 2021, na qual ele associou um projeto de lei de autoria de Tabata Amaral a interesses empresariais. A proposta tratava da distribuição gratuita de absorventes íntimos para a população, tema que gerou debate político à época.

Relator aponta configuração de difamação

Motta diz que Eduardo Bolsonaro pode ser cassado por número de faltas
Eduardo Bolsonaro (Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

Ao analisar o processo, Alexandre de Moraes concluiu que houve difamação contra a parlamentar, entendimento agora seguido por Cármen Lúcia. O voto do relator prevê pena de um ano de prisão em regime aberto, além de multa, embora o julgamento ainda não esteja concluído.

A ação penal foi movida pela própria Tabata Amaral após a repercussão da postagem nas redes sociais. Segundo a acusação, o conteúdo extrapolou o campo da crítica política e atingiu a honra da parlamentar ao sugerir vínculos indevidos com interesses privados.

A defesa de Eduardo Bolsonaro sustenta que as declarações estariam protegidas pela imunidade parlamentar, argumento que segue sendo analisado pelos ministros.

Julgamento segue até o fim do mês

STF
(Gustavo Moreno/STF)

O caso está em análise no plenário virtual do STF, modelo em que os ministros registram seus votos eletronicamente dentro de um prazo estabelecido. A votação segue aberta até o dia 28 de abril, e ainda faltam os votos de oito ministros.

Até o momento, o placar parcial indica alinhamento inicial com o voto do relator, mas o resultado final dependerá da manifestação dos demais integrantes da Corte.

Postagem recente reacende debate

(Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Mesmo com o julgamento em andamento, o caso voltou ao debate público após nova publicação de Eduardo Bolsonaro nas redes sociais. O ex-deputado comentou a presença de Alexandre de Moraes no casamento de Tabata Amaral, levantando questionamentos sobre a imparcialidade do julgamento.

A manifestação não altera o curso do processo, que segue sua tramitação regular no STF, mas amplia a repercussão política em torno do caso, que envolve liberdade de expressão, imunidade parlamentar e limites da atuação nas redes sociais.

  • Publicado: 21/04/2026 14:25
  • Alterado: 21/04/2026 14:26
  • Autor: Edvaldo Barone
  • Fonte: Agência Brasil