Lula nomeia Guilherme Boulos na Secretaria-Geral da presidência
Lula nomeia Guilherme Boulos como ministro da Secretaria-Geral, reforçando laços com movimentos populares antes de viagem à Indonésia e Malásia.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 20/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O cenário político nacional foi agitado nesta segunda-feira (20), com o anúncio oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) será o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. A nomeação, confirmada um dia antes de Lula embarcar para uma viagem oficial à Ásia (Indonésia e Malásia), materializa uma manobra estratégica no Palácio do Planalto, com foco na consolidação da base de apoio popular e na projeção da esquerda para as próximas disputas eleitorais.
A confirmação da mudança coloca o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em um dos postos mais próximos do chefe do Executivo, substituindo Márcio Macêdo (PT). Macêdo deve ser realocado para outra função dentro do Partido dos Trabalhadores. A decisão de efetivar a troca ministerial agora surpreende, pois a reforma mais ampla era esperada apenas para abril de 2026, quando ocorre o prazo de desincompatibilização eleitoral para ministros. Ao antecipar a posse de Guilherme Boulos, Lula sinaliza a urgência em reoxigenar a interlocução do governo com a sociedade civil.
Reforço de Guilherme Boulos com movimentos sociais
A Secretaria-Geral da Presidência tem a função crucial de articular o governo com a sociedade civil, incluindo movimentos sociais, sindicatos e organizações de base. A chegada de Guilherme Boulos, um nome de forte expressão na militância de esquerda, é vista como um movimento direto para preencher uma lacuna de insatisfação que vinha sendo manifestada por setores populares quanto ao ritmo e foco das políticas sociais do governo.
A expectativa é que o novo ministro lidere um processo de retomada do diálogo, trazendo as demandas das redes de base diretamente para o núcleo do poder. Sua trajetória, profundamente ligada à causa da moradia e da justiça social, confere-lhe a credibilidade necessária para reaquecer essa articulação.
“A escolha de Boulos não é apenas uma troca de nomes; é uma movimentação política cirúrgica de Lula para garantir que as pautas mais urgentes dos movimentos populares ganhem prioridade máxima na agenda do Planalto”, avalia um analista político.
Quando Boulos fará a posse?
O anúncio ocorreu após uma reunião de cúpula no Palácio do Planalto, nesta segunda-feira, que contou com a presença de Lula, Boulos e Macêdo, além dos ministros Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) e Gleisi Hoffmann (Presidente Nacional do PT), evidenciando o peso da decisão. A posse de Guilherme Boulos será formalizada na edição do Diário Oficial da União desta terça-feira (21).
Conheça Guilherme Boulos

Aos 43 anos, Guilherme Boulos é uma das principais figuras da nova geração da esquerda brasileira. Sua biografia é marcada pelo ativismo e pela acadêmica. Formado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), Boulos ganhou notoriedade nacional como coordenador do MTST, se dedicando por anos à luta por moradia digna e reforma urbana.
Sua entrada na política partidária se deu pelo PSOL em 2018, quando foi candidato à Presidência. Nos anos seguintes, consolidou sua influência em São Paulo, disputando a prefeitura da capital paulista por duas vezes:
- 2020: Chegou ao segundo turno, sendo derrotado por Bruno Covas (PSDB).
- 2024: Concorreu novamente e foi para o segundo turno, desta vez contra Ricardo Nunes (MDB), sendo novamente superado.
Em 2022, foi eleito deputado federal por São Paulo com uma das votações mais expressivas do País, credenciando-o definitivamente como um nome de peso nacional. A chegada de Guilherme Boulos à Secretaria-Geral é vista, portanto, não apenas como um ajuste de governo, mas também como um passo de grande impacto para a articulação política visando os próximos ciclos eleitorais, fortalecendo a aliança entre o PT e o PSOL.