Lula diz que Donald Trump foi induzido a mentira
Em Osasco, Lula critica alianças com Trump e cobra atitude do Congresso sobre Eduardo Bolsonaro
- Publicado: 26/01/2026
- Alterado: 25/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Maria Clara e JP
Durante um evento realizado em Osasco, São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou sua disposição para dialogar com os Estados Unidos, mas alertou que não hesitará em confrontos se necessário. Em suas declarações, Lula fez referências à família Bolsonaro e ao presidente Donald Trump, enfatizando que a rivalidade não é desejada, mas poderá ocorrer caso as provocações continuem.
Lula:
“Minha vida é essa. Eu não quero brigar. Mas se quiser continuar brigando comigo, ainda não quero brigar. Mas se quiser continuar brigando comigo, aí vai ter”, afirmou o presidente, destacando a importância de um relacionamento construtivo entre as nações.
O presidente Lula fez uma analogia entre o deputado Eduardo Bolsonaro e Joaquim Silvério dos Reis, personagem histórico conhecido por sua traição. Ele convocou seus aliados no Congresso a tomarem atitudes em relação ao deputado e criticou as políticas comerciais do governo americano, afirmando que Trump foi enganado ao acreditar que o Brasil estava agindo de forma hostil.

“Se a invasão ao Capitólio tivesse acontecido aqui, Trump enfrentaria as mesmas consequências que Jair Bolsonaro está enfrentando atualmente”, disse Lula, abordando questões de patriotismo e traição na política brasileira. O presidente expressou sua indignação ao observar políticos brasileiros que se dizem patriotas enquanto solicitam intervenção estrangeira.
“Esses mesmos cidadãos ou cidadãs que utilizavam a camisa da seleção brasileira e a bandeira nacional estão agora agarrados na bota do presidente dos Estados Unidos pedindo para ele fazer intervenção no Brasil”, acrescentou.
Operação Lava Jato
Além disso, Lula compartilhou sua experiência durante a Operação Lava Jato, revelando ter enfrentado acusações falsas e recusado acordos que comprometessem sua dignidade. “Não vou colocar tornozeleira porque não sou pombo correio”, ironizou ele, referindo-se às propostas feitas para sua liberdade condicional.
Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão devido a sua ligação com os esquemas de corrupção investigados pela Lava Jato. Na chegada do ex-presidente a Curitiba, manifestantes tanto favoráveis quanto contrários a Lula geraram agitação nas imediações. A Polícia Militar interveio utilizando bombas de efeito moral para dispersar os ânimos exaltados, formando um cordão de isolamento para separar os dois grupos em confronto.
Na manhã seguinte, domingo, 8 de outubro de 2018, a área em torno da Superintendência da Polícia Federal foi isolada pela PM. Um perímetro de cem metros foi estabelecido ao redor do prédio onde Lula passou sua primeira noite encarcerado. Apesar das tensões entre manifestantes durante a noite anterior, alguns continuaram presentes nas proximidades, respeitando as delimitações estabelecidas pelas forças de segurança.
No tocante à questão das grandes empresas de tecnologia, o presidente manifestou sua intenção de regular essas instituições para garantir que respeitem as leis brasileiras e não promovam desinformação ou discursos de ódio. Ele argumentou sobre a necessidade de proteger dados sensíveis do Brasil que estão sob controle americano e questionou a assimetria comercial existente entre os dois países.
“Se você pegar serviços e comércio, eles têm um superávit de US$ 410 bilhões em 15 anos. Então, quem deveria estar reclamando éramos nós. E nós não estamos reclamando, estamos querendo negociar”, observou Lula.
Celular Seguro
Lula também mencionou o programa Celular Seguro, destinado a combater furtos de celulares nas periferias e criticou a percepção de que indivíduos das classes mais baixas votam em candidatos ricos sem refletir sobre suas consequências.

“Quando a gente vota num cara rico significa que a gente está colocando uma raposa para tomar conta do galinheiro. Vocês acham que a raposa vai tomar conta do galinheiro?”, questionou ele durante seu discurso.
O presidente rebateu ainda críticas à comunicação do governo, esclarecendo que a retórica não deve ser vista como um conflito entre “nós contra eles“, mas sim como “eles contra nós”.
Enquanto falava, um manifestante gritou palavras de ordem contra Lula na plateia, mas foi prontamente retirado por seguranças. O presidente observou a situação com tranquilidade antes de reafirmar seu compromisso com um diálogo respeitoso e afastar-se de provocações indesejadas.