Lula busca apoio do centrão e avalia vice do MDB para 2026

Presidente Lula articula ampliação de alianças e tenta isolar Flávio Bolsonaro na disputa presidencial

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as articulações políticas de olho nas eleições presidenciais de 2026. Em duas frentes estratégicas, o petista trabalha para ampliar o arco de alianças, aproximando-se de partidos do centrão e avaliando a possibilidade de ter um vice do MDB, movimento que pode redesenhar sua chapa e reforçar a estratégia de isolamento do senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como principal adversário.

Estratégia para ampliar alianças e garantir competitividade

A diretriz dada por Lula ao PT é clara: ampliar ao máximo as alianças para garantir vantagem eleitoral. Articuladores do partido avaliam que a maior parte do eleitorado já tem posição definida, restando cerca de 10% dos votos em disputa. Nesse cenário, qualquer reforço político é considerado decisivo para a reeleição.

Durante o evento de aniversário do PT, realizado no sábado (7), o presidente foi direto ao afirmar que o partido precisa compor alianças nos estados onde não possui força suficiente. A fala reforça a leitura interna de que a eleição será disputada voto a voto, exigindo pragmatismo nas negociações com outras siglas.

Possível vice do MDB e impacto na chapa presidencial

A aproximação com o MDB é considerada a articulação mais sensível. Para atrair formalmente o partido, aliados avaliam que Lula precisaria oferecer a vaga de vice-presidente, hoje ocupada por Geraldo Alckmin (PSB). A mudança, no entanto, envolve riscos políticos, já que Alckmin é aliado próximo do presidente e manifestou interesse em permanecer na chapa.

Mesmo diante da possibilidade de ser retirado da vice, Alckmin já sinalizou à cúpula petista que apoiaria a reeleição de Lula, mesmo sem disputar cargos. Internamente, Lula tem alternado gestos de valorização ao vice com sinais de que ele poderia cumprir um papel eleitoral estratégico em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

Entre os nomes do MDB cogitados para a vice estão o ministro dos Transportes, Renan Filho, o governador do Pará, Helder Barbalho, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet. A definição, porém, depende de um consenso interno no partido, que enfrenta divisões regionais.

Centrão, neutralidade e disputa nos estados

Além do MDB, Lula atua para garantir ao menos a neutralidade de partidos do centrão na eleição nacional. O objetivo é evitar que essas legendas apoiem oficialmente Flávio Bolsonaro e facilitar alianças regionais com lideranças locais.

Um dos movimentos mais relevantes foi a conversa com o presidente do PP, Ciro Nogueira, que sugeriu neutralidade nacional do partido em troca de apoio regional. Situação semelhante ocorre com o União Brasil, especialmente no Ceará, onde o governo busca impedir alianças que fortaleçam adversários do PT.

A criação da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, também entra no radar do Planalto. Sem uma candidatura presidencial própria forte, a federação tende a priorizar a eleição de bancadas, abrindo espaço para acordos regionais com o governo federal.

Isolamento de adversários e cenário eleitoral

A estratégia de Lula passa, ainda, por enfraquecer potenciais candidaturas da direita e do centro, isolando Flávio Bolsonaro no plano nacional. A decisão do governador Tarcísio de Freitas de disputar a reeleição em São Paulo, por exemplo, retirou um nome forte da corrida presidencial e redesenhou o tabuleiro político.

Com articulações envolvendo lideranças do Congresso e presidentes de partidos, o presidente aposta na construção de uma frente ampla para repetir, em 2026, a estratégia vencedora adotada na eleição de 2022, agora em um cenário ainda mais fragmentado.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 08/02/2026
  • Fonte: Fever