Lula afirma que deputado “defendeu crime organizado” sobre vídeo do Pix

Vídeo viral de Nikolas sobre Pix motivou críticas de Lula ao parlamentar

Lula afirma que deputado “defendeu crime organizado” sobre vídeo do Pix

Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Nesta sexta-feira (29), o presidente Lula fez uma crítica velada ao deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, acusando-o de defender indiretamente o crime organizado. A declaração foi feita durante uma entrevista à rádio Itatiaia, onde Lula se referiu à campanha do parlamentar contra uma instrução normativa que visava aumentar a fiscalização do sistema de pagamentos instantâneos conhecido como Pix.

A norma proposta pela Receita Federal buscava expandir o monitoramento fiscal para novos integrantes do sistema financeiro, incluindo fintechs e bancos digitais, com o intuito de coibir práticas ilegais. No entanto, a implementação dessa medida foi suspensa em janeiro deste ano, após a divulgação de um vídeo de Nikolas Ferreira que rapidamente se tornou viral, acumulando cerca de 9 milhões de visualizações no Instagram.

Durante a entrevista, Lula declarou: “Tem um deputado que fez uma campanha contra as mudanças que a Receita Federal propôs e agora está provado que o que ele estava fazendo é defender o crime organizado.” O comentário ocorreu em um contexto delicado, um dia após a operação Carbono Oculto, que investigou empresas ligadas ao setor de combustíveis e ao mercado financeiro com possíveis conexões ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, também se manifestou sobre o tema durante uma coletiva de imprensa. Ele afirmou que a campanha contra a instrução normativa contribuiu para fortalecer o crime organizado. “As operações de hoje mostram quem ganhou com essa mentira e com essas fake news: o crime organizado. Aqueles que espalharam desinformação ajudaram diretamente nessa questão”, comentou Barreirinhas, sem mencionar diretamente o nome do deputado.

A Receita Federal tem alertado sobre um fenômeno preocupante conhecido como “bancarização do crime organizado”, onde facções criminosas utilizam instituições financeiras e fundos de investimento para dificultar o rastreamento de suas atividades ilícitas. Dados da Receita indicam que cerca de mil estabelecimentos vinculados ao PCC movimentaram impressionantes R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.

O uso crescente das fintechs nesse esquema levanta alarmes sobre a inserção de recursos ilegais no mercado financeiro, uma vez que esses fundos tornam difícil verificar a origem dos ativos investidos.

  • Publicado: 29/08/2025 11:57
  • Alterado: 29/08/2025 12:00
  • Autor: Redação
  • Fonte: FOLHAPRESS