Lula promete resolver segurança no Rio sem “pirotecnia”
Lula promete combater o crime organizado no Rio sem “pirotecnia” e pede que Eduardo Paes mantenha revisão de contratos
- Publicado: 22/08/2026 15:38
- Alterado: 22/08/2026 15:38
- Autor: Gabriel de Jesus
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (22) que pretende enfrentar a criminalidade no Rio de Janeiro sem recorrer à “pirotecnia” e com ações voltadas à recuperação de territórios dominados pelo crime organizado. A declaração ocorreu durante ato de campanha no estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense.
Ao lado do candidato ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), o petista voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública. A proposta faz parte do plano de governo apresentado por Lula para a tentativa de reeleição e depende da aprovação da PEC da Segurança Pública, atualmente em tramitação no Senado.
Lula defende ações contra o crime organizado
Durante o discurso, Lula afirmou que o combate à violência precisa resultar na retomada de áreas controladas por organizações criminosas. O presidente disse que pretende atuar para que os moradores recuperem o direito de circular e viver nesses territórios, mas sem apostar apenas em grandes operações de impacto.
A estratégia apresentada pelo candidato inclui investimentos em segurança, educação e saúde, além de maior integração entre União, estados e municípios. Lula também voltou a mencionar a necessidade de mudanças constitucionais para ampliar a atuação federal na área de segurança pública.
A segurança pública ganhou espaço central na campanha eleitoral no Rio de Janeiro. No mesmo sábado, o senador Flávio Bolsonaro (PL) realizou um ato no Maracanãzinho e também concentrou seu discurso no combate ao crime, defendendo medidas mais duras contra criminosos e organizações criminosas.
Lula elogia gestão interina e cita Eduardo Paes
Durante o evento, Lula também elogiou medidas adotadas pelo governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, especialmente o processo de revisão de contratos da administração estadual. O presidente pediu que Eduardo Paes dê continuidade ao trabalho caso seja eleito para comandar o estado.
Paes, que integra o palanque de Lula na eleição, também criticou gestões anteriores do governo fluminense e afirmou haver problemas relacionados à presença do crime organizado na estrutura política do estado. A aliança entre os dois é considerada estratégica para a campanha petista no Rio.
O Rio é visto pela campanha de Lula como um estado importante para ampliar seu desempenho eleitoral em relação à eleição de 2022. O petista também busca fortalecer o palanque com a presença de Paes e da deputada Benedita da Silva (PT), que disputa uma vaga ao Senado.
Segurança vira foco da disputa presidencial
A escolha do Rio de Janeiro para uma agenda dedicada à segurança ocorre em meio à disputa direta pelo eleitorado fluminense. Lula e Flávio Bolsonaro têm apresentado propostas diferentes para o enfrentamento da criminalidade e das facções durante o início da campanha eleitoral.
Enquanto Lula defende maior integração entre as forças de segurança e a criação de uma pasta específica no governo federal, Flávio aposta em medidas de endurecimento penal e na classificação de facções criminosas como organizações terroristas.
A segurança pública também aparece como um dos principais temas do plano de governo de Lula. A proposta prevê a criação do Ministério da Segurança Pública caso a PEC seja aprovada pelo Congresso. A nova estrutura teria a função de coordenar políticas nacionais e ampliar a integração entre União, estados e municípios.
O ato em Bangu reforçou, portanto, a tentativa de Lula de apresentar uma alternativa ao discurso de endurecimento adotado por seus adversários. Ao mesmo tempo, a presença de Eduardo Paes no palanque demonstra o esforço da campanha para ampliar sua base política no Rio e disputar um estado que historicamente apresenta forte influência do grupo político ligado aos Bolsonaro.