Luiz Fux crava voto mais longo da história e bate recorde de suspense

O ministro superou recordes com um voto interminável, marcado por repetições, polêmicas e impacto político no caso de Bolsonaro

Crédito: Imagem gerada por IA via ChatGPT (OpenAI)

Ontem (10), durante o julgamento de Bolsonaro, Luiz Fux decidiu mostrar que, além de ministro, também poderia concorrer tranquilamente a uma maratona de oratória sem previsão de linha de chegada. Com um voto tão extenso que faria qualquer enciclopédia parecer um folheto de supermercado, ele ultrapassou Celso de Mello e cravou seu nome na gloriosa história do STF.

O recorde anterior, de seis horas e meia, virou apenas um aquecimento — Fux começou às 9h, fez aproximadamente — esse jornalista pode até ter perdido as contas — três pausas, para um rango e alguns xixis, umas escapadas básicas para mandar zaps e ver o Instagram. E mesmo assim, seguiu firme até a noite, sem perder o fôlego e o microfone da mão.

O recorde de Luiz Fux no Supremo

O país, que já estava na expectativa para saber se algum ministro conseguiria abrir divergência sem abrir mão do almoço, viu Luiz Fux não só discordar do relator Alexandre de Moraes, como também desafiar as leis da física e da paciência humana. O julgamento, que envolve a participação de Jair Bolsonaro na trama golpista, virou coadjuvante diante do show particular do ministro, que praticamente transformou a sessão em um audiolivro sobre argumentação jurídica. Dizem que o voto cobriu tantos pontos que, se alguém piscasse, corria o risco de perder uma tese inédita ou uma citação de código penal recitada três vezes seguidas.

Flávio Dino - Alexandre de Moraes - Julgamento de Bolsonaro no STF - Luiz Fux
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

E por falar em repetir, o conteúdo do voto faz jus à duração: Luiz Fux reciclou argumentos das defesas dos réus como quem refaz arroz de ontem, só que com mais páginas. O ministro Dino, que tentou ser pragmático ao sugerir “não precisa votar de novo em relação a todos os réus”, foi ignorado como quem pede silêncio numa reunião de condomínio. Afinal, quem precisa de objetividade quando se pode fazer história pela quantidade de sílabas pronunciadas?

Parece que, depois do voto-maratonista, até o tempo precisou de anistia. Fux agradeceu os colegas pelo “tempo concedido”, como se tivesse devolvendo um favor. E os ministros, esgotados, decidiram coletivamente que amanhã o julgamento de Bolso recomeça às 14h, não às 9h — porque o corpo humano precisa processar quase 12 horas de oratória como quem processa um feriado nacional. Oficialmente, virou o primeiro julgamento do STF a redefinir o fuso horário interno por exaustão coletiva.

Exaustão no plenário e reação dos ministros

Zanin, no auge da diplomacia e tentando manter a liturgia, agradeceu “aos ministros pelo tempo concedido” e sugeriu que retomassem o julgamento às 14h do dia seguinte. Até aí, parecia normal — mas o subtexto gritava: “pelo amor de Deus, parem de falar, precisamos respirar!”. A plateia implícita era todo o STF, que, naquele momento, oscilava entre exaustão e desespero contido.

Luiz Fux, por sua vez, parecia imune à passagem do tempo. Enquanto Zanin tentava encerrar, ele ainda folheava papéis, ajeitava o microfone e dava sinais claros de que, se deixassem, seguiria com mais umas três teses inéditas e citações da Constituição americana. Era como assistir a um filme de três horas com cena pós-créditos… e descobrir que os créditos também têm continuação.

Luiz Fux
Felipe Sampaio/SCO/STF

No fim das contas, a condenação segue encaminhada (2 a 1 para o “sim”), mas a quarta-feira entra para os anais do STF não pelo desfecho do julgamento de Bolsonaro e seus aliados, e sim pela resistência de Luiz Fux, que provou que tempo é relativo — especialmente quando o relógio está nas mãos de um ministro inspirado. Mais de onze horas, parabéns ministro, você será lembrado (e)ternamente. Se o próximo recordista do STF quiser superar Fux, é bom levar lanche, café e talvez até um saco de dormir.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 11/09/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show