Luis de la Fuente: o arquiteto da nova Espanha

Treinador acompanhou a formação de boa parte do elenco espanhol desde as categorias de base e transformou um projeto de mais de uma década em uma seleção finalista da Copa do Mundo

Crédito: Reprodução / Cazé TV

Quando o árbitro encerrou a vitória da Espanha por 2 a 0 sobre a França na semifinal da Copa do Mundo de 2026, Luis de la Fuente comemorou mais do que uma classificação histórica.

O treinador de 65 anos via chegar ao ponto mais alto um projeto que começou muito antes dos títulos, das grandes noites europeias e da atual geração de estrelas. A caminhada rumo à final teve início treze anos antes, em uma seleção de base e longe dos holofotes que hoje acompanham a Fúria.

O início de tudo

Em julho de 2013, de la Fuente estava desempregado após deixar o Alavés e descobriu em um jornal uma vaga para comandar a seleção espanhola sub-19. Ele se candidatou ao cargo e acabou iniciando uma trajetória que mudaria sua carreira e a história recente do futebol espanhol.

Seu primeiro grande torneio terminou diante da França. Na semifinal da EURO Sub-19 daquele ano, os espanhóis foram eliminados pelos franceses. Treze anos depois, o destino reservou um roteiro diferente. Contra o mesmo adversário, agora em uma semifinal de Copa do Mundo, De la Fuente saiu vencedor e garantiu o retorno da Espanha à decisão do torneio mais importante do futebol.

A escalada pelas categorias de base

Durante mais de uma década, Luis de la Fuente percorreu todas as etapas das categorias de base da seleção espanhola. Comandou equipes sub-19, sub-21 e olímpica, acumulando conquistas e, principalmente, acompanhando o desenvolvimento de jovens que mais tarde se tornariam protagonistas do futebol europeu. Rodri, Mikel Merino, Dani Olmo, Unai Simón, Mikel Oyarzabal, Fabián Ruiz e tantos outros passaram por suas mãos antes mesmo de estrearem pela seleção principal.

Sob seu comando, a Espanha conquistou a EURO Sub-19 de 2015, venceu a EURO Sub-21 de 2019 e alcançou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, perdendo a final para o Brasil.

Por isso, quando assumiu a seleção principal após a Copa do Mundo de 2022, de la Fuente chegou cercado por dúvidas. Sem experiência à frente de clubes de elite e pouco conhecido fora da Espanha, sua escolha foi vista por muitos como uma aposta conservadora da federação.

A resposta, porém, veio em campo

Em pouco tempo, a Espanha voltou a competir entre as grandes potências do futebol mundial. Conquistou a Nations League em 2023, levantou a Eurocopa em 2024 e consolidou uma equipe que alia o tradicional controle da posse de bola à intensidade, verticalidade e capacidade de decisão nos momentos importantes.

A campanha na Copa do Mundo de 2026 representa o ápice dessa evolução. A Espanha eliminou Portugal nas oitavas de final, superou a Bélgica nas quartas e derrotou a França na semifinal, confirmando seu lugar entre as seleções mais fortes do planeta. Mais do que os resultados, impressiona a maturidade de um grupo que parece jogar junto há anos porque, pela base, realmente joga.

Esse talvez seja o maior legado de Luis de la Fuente. Em uma era marcada pela busca imediata por resultados, o treinador espanhol construiu seu sucesso com paciência. Ao contrário de muitos técnicos que conhecem seus jogadores apenas ao assumir a seleção principal, ele acompanhou a trajetória de boa parte do elenco desde a adolescência.

A final da Copa do Mundo não representa apenas a oportunidade de conquistar um título inédito em sua carreira, mas simboliza a conclusão de uma obra iniciada mais de uma década atrás. É difícil encontrar alguém que represente melhor essa transformação do que o homem que esteve presente em praticamente todas as etapas da jornada.

  • Publicado: 16/07/2026 08:55
  • Alterado: 16/07/2026 08:58
  • Autor: Vitor Bianco
  • Fonte: ABCdoABC