Luis de la Fuente: o arquiteto da nova Espanha
Treinador acompanhou a formação de boa parte do elenco espanhol desde as categorias de base e transformou um projeto de mais de uma década em uma seleção finalista da Copa do Mundo
- Publicado: 16/07/2026 08:55
- Alterado: 16/07/2026 08:58
- Autor: Vitor Bianco
- Fonte: ABCdoABC
Quando o árbitro encerrou a vitória da Espanha por 2 a 0 sobre a França na semifinal da Copa do Mundo de 2026, Luis de la Fuente comemorou mais do que uma classificação histórica.
O treinador de 65 anos via chegar ao ponto mais alto um projeto que começou muito antes dos títulos, das grandes noites europeias e da atual geração de estrelas. A caminhada rumo à final teve início treze anos antes, em uma seleção de base e longe dos holofotes que hoje acompanham a Fúria.
O início de tudo
Em julho de 2013, de la Fuente estava desempregado após deixar o Alavés e descobriu em um jornal uma vaga para comandar a seleção espanhola sub-19. Ele se candidatou ao cargo e acabou iniciando uma trajetória que mudaria sua carreira e a história recente do futebol espanhol.
Seu primeiro grande torneio terminou diante da França. Na semifinal da EURO Sub-19 daquele ano, os espanhóis foram eliminados pelos franceses. Treze anos depois, o destino reservou um roteiro diferente. Contra o mesmo adversário, agora em uma semifinal de Copa do Mundo, De la Fuente saiu vencedor e garantiu o retorno da Espanha à decisão do torneio mais importante do futebol.
A escalada pelas categorias de base
Durante mais de uma década, Luis de la Fuente percorreu todas as etapas das categorias de base da seleção espanhola. Comandou equipes sub-19, sub-21 e olímpica, acumulando conquistas e, principalmente, acompanhando o desenvolvimento de jovens que mais tarde se tornariam protagonistas do futebol europeu. Rodri, Mikel Merino, Dani Olmo, Unai Simón, Mikel Oyarzabal, Fabián Ruiz e tantos outros passaram por suas mãos antes mesmo de estrearem pela seleção principal.
Sob seu comando, a Espanha conquistou a EURO Sub-19 de 2015, venceu a EURO Sub-21 de 2019 e alcançou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, perdendo a final para o Brasil.
Por isso, quando assumiu a seleção principal após a Copa do Mundo de 2022, de la Fuente chegou cercado por dúvidas. Sem experiência à frente de clubes de elite e pouco conhecido fora da Espanha, sua escolha foi vista por muitos como uma aposta conservadora da federação.
A resposta, porém, veio em campo
Em pouco tempo, a Espanha voltou a competir entre as grandes potências do futebol mundial. Conquistou a Nations League em 2023, levantou a Eurocopa em 2024 e consolidou uma equipe que alia o tradicional controle da posse de bola à intensidade, verticalidade e capacidade de decisão nos momentos importantes.
A campanha na Copa do Mundo de 2026 representa o ápice dessa evolução. A Espanha eliminou Portugal nas oitavas de final, superou a Bélgica nas quartas e derrotou a França na semifinal, confirmando seu lugar entre as seleções mais fortes do planeta. Mais do que os resultados, impressiona a maturidade de um grupo que parece jogar junto há anos porque, pela base, realmente joga.
Esse talvez seja o maior legado de Luis de la Fuente. Em uma era marcada pela busca imediata por resultados, o treinador espanhol construiu seu sucesso com paciência. Ao contrário de muitos técnicos que conhecem seus jogadores apenas ao assumir a seleção principal, ele acompanhou a trajetória de boa parte do elenco desde a adolescência.
A final da Copa do Mundo não representa apenas a oportunidade de conquistar um título inédito em sua carreira, mas simboliza a conclusão de uma obra iniciada mais de uma década atrás. É difícil encontrar alguém que represente melhor essa transformação do que o homem que esteve presente em praticamente todas as etapas da jornada.