Líder do Irã afirma vitória e diz que EUA e Israel foram derrotados

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (4), Mojtaba Khamenei declarou que os adversários sofreram uma “humilhação profunda” e sugeriu o encerramento do conflito, enquanto negociações por um acordo de paz ganham força

Crédito: Reprodução/X-Twitter

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira (4) que o país saiu vitorioso da guerra contra os Estados Unidos e Israel. Em comunicado oficial, ele declarou que os dois rivais sofreram um “golpe decisivo” e uma “humilhação profunda e significativa” tanto no campo militar quanto na esfera pública.

A mensagem foi divulgada na data que marca os 37 anos da morte de Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica do Irã.

Acusações contra EUA e Israel

No texto, Khamenei acusou os adversários de tentar enfraquecer o país por meio da desestabilização interna. Segundo ele, após os resultados do conflito, os inimigos do Irã passaram a recorrer a estratégias para minar a resistência da população e estimular divisões dentro do país.

O líder iraniano também voltou a criticar a influência dos Estados Unidos no Oriente Médio e classificou Israel como um instrumento da política de dominação americana na região.

Contexto da sucessão no comando iraniano

Mojtaba Khamenei assumiu a liderança após a morte de seu pai, Ali Khamenei, que, segundo o relato apresentado no comunicado, teria sido assassinado em uma ação militar conduzida por forças americanas e israelenses no início da guerra.

O atual líder também teria ficado ferido no mesmo ataque e não aparece publicamente há várias semanas, fato que tem alimentado especulações sobre sua condição de saúde.

Sinais de possível acordo para encerrar a guerra

Analistas avaliam que o tom da mensagem pode indicar que o conflito está próximo do fim. A declaração de vitória e a ausência de novas ameaças militares foram interpretadas por especialistas como um possível sinal de que um acordo de paz entre Irã e Estados Unidos pode ser anunciado em breve.

Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações avançaram e que a assinatura de um entendimento para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Hormuz estaria próxima.

Trump admite encontro com líder iraniano

Na quarta-feira (3), Trump declarou que pretende se reunir com Mojtaba Khamenei em algum momento, dependendo da evolução das negociações.

O presidente americano também classificou a campanha militar contra o Irã como um sucesso, mas enfrenta pressão crescente dentro dos Estados Unidos devido ao impacto do conflito nos preços dos combustíveis e ao desgaste político provocado pela longa duração da guerra.

Congresso dos EUA tenta limitar ações militares

Enquanto a Casa Branca busca uma saída diplomática, a Câmara dos Representantes aprovou um projeto que pretende restringir os poderes de guerra do presidente.

A proposta, apoiada por parlamentares democratas e por quatro republicanos, exige que Trump retire as tropas americanas do Irã ou obtenha autorização formal do Congresso para manter as operações militares.

Apesar da aprovação na Câmara, a medida ainda precisa passar pelo Senado e, posteriormente, receber a sanção presidencial. Caso Trump vete o texto, seria necessária uma maioria de dois terços nas duas Casas para derrubar a decisão, cenário considerado improvável devido à maioria republicana no Congresso.

  • Publicado: 04/06/2026 12:59
  • Alterado: 04/06/2026 12:59
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress