Empresários do ABC discutem eficiência tributária e financiamentos
Encontro do LIDE Grande ABC discute estratégias para otimizar o caixa através de recuperação de impostos e linhas de crédito subsidiadas
- Publicado: 11/02/2026
- Alterado: 25/02/2026
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Itaú Cultural
Eficiência tributária é um alvo estratégico para empresas. Em um cenário econômico onde o capital se tornou um recurso escasso e caro, lideranças empresariais do Grande ABC se reuniram nesta quarta-feira (25) para discutir estratégias de sobrevivência e crescimento visando melhorar a eficiência tributária e acesso à crédito barato. O Business Breakfast, promovido pelo LIDE Grande ABC focou em dois pilares críticos para a competitividade atual: a inteligência financeira aplicada à carga tributária e o acesso ao crédito via fomento público.
O encontro aconteceu no Amsterdam Mingle, estabelecimento que faz parte do Sair & Curtir, uma curadoria com os melhores restaurantes da região segundo avaliação do portal ABCdoABC (veja detalhes aqui).
A discussão entre os empresários do Grande ABC, que integra as celebrações de 25 anos do LIDE, reforçou o papel da região como um polo que busca modernização frente aos desafios das incertezas da reforma tributária e da taxa Selic elevada.
O segredo da eficiência tributária

Rodrigo La Rosa, sócio e líder de mercados na Simões Pires, trouxe uma visão pragmática sobre a gestão do passivo e dos créditos tributários. Para o executivo, em um ambiente de Selic alta, a eficiência tributária deixa de ser apenas conformidade para se tornar uma ferramenta de liquidez.
La Rosa alertou que o excesso de cautela pode ser um entrave à liquidez das companhias em tempos de juros altos. “Muitas empresas hoje se dizem conservadoras por receio da fiscalização, mas ser conservador sem analisar os riscos é algo vago e pode significar ser atropelado pelo concorrente que tem uma mente mais aberta”, afirmou.
Ele instigou os empresários a revisitarem suas estruturas e balanços em busca de créditos de PIS/COFINS e ICMS que muitas vezes ficam retidos: “Se eu levanto R$ 5 milhões aqui e R$ 3 milhões ali, isso pode representar o lucro da empresa de um ou dois anos“.
Ao analisar o custo de oportunidade, Rodrigo La Rosa foi enfático ao comparar a captação bancária com a recuperação de impostos pagos indevidamente:
“Com a Selic a 15%, vale muito mais a pena avaliar o risco e implementar uma oportunidade tributária no administrativo do que tomar dinheiro no banco e penalizar o resultado com despesa financeira”.
Sobre o cenário futuro, o executivo destacou que a janela de oportunidade para monetizar ativos fiscais está se estreitando devido à agenda legislativa. De acordo com La Rosa, as companhias que ignorarem essa revisão de ativos agora perderão competitividade no novo regime.
Inovação abre portas para crédito barato

O debate também abordou o acesso estratégico ao crédito público como alternativa ao sistema bancário tradicional. Felipe Pozebon, sócio e líder de inovação e fomento na Simões Pires, e Márcio Ikegami, gerente adjunto na Finep (Financiadora de Estudos e Projetos – uma empresa pública brasileira de fomento à ciência, tecnologia e inovação sediada no Rio de Janeiro), detalharam as oportunidades para financiar o crescimento sem as taxas proibitivas do mercado privado.
Márcio Ikegami explicou que a Finep atua como o principal braço federal para o financiamento da inovação, oferecendo condições de custo que o mercado dificilmente consegue equalizar. “Trabalhamos com taxas atreladas à TR mais juros reduzidos, o que resulta em um capital custando cerca de 6% ao ano, com prazos de carência que podem chegar a 48 meses”, ressaltou.
O especialista em crédito frisou que, com a Selic em patamares elevados, esse diferencial de custo transforma o fomento em um ganho financeiro direto para o fluxo de caixa das empresas.
Sobre a sustentabilidade das operações, Felipe Pozebon enfatizou que, em cenários de capital escasso, a inovação deixa de ser um luxo para se tornar o vetor de sobrevivência. Segundo o executivo, “a inovação é a pauta que garante a diferenciação e a geração de caixa mesmo em ambientes econômicos desafiadores”.
Pozebon defendeu que o uso de instrumentos como a Lei do Bem e a subvenção econômica permite que a empresa terceirize parte do risco tecnológico para o governo, preservando o capital próprio para a operação.
“O recurso existe e é abundante, mas a região ainda acessa muito pouco perto do seu potencial”, destacou Pozebon.
Segundo ele, essa lacuna ocorre principalmente pela falta de projetos estruturados. “Muitas vezes, o empresário tem a inovação dentro de casa, mas não sabe como traduzi-la nos editais para captar esses bilhões de crédito subsidiado”.
Para Walter Dias, CEO do LIDE Grande ABC, discutir alternativas como fomento e inteligência tributária é indispensável para a sustentabilidade das empresas locais.
