Letalidade policial em SP tem 2º maior índice de mortes em 5 anos

Forças de segurança somam 650 mortes até outubro de 2025. Gestão atual reverteu queda histórica e enfrenta alta de 69% nas ocorrências letais.

Crédito: Divulgação/Governo de SP

A letalidade policial em SP atingiu o segundo patamar mais elevado dos últimos cinco anos entre janeiro e outubro de 2025. Dados oficiais revelam que as forças de segurança do estado, englobando as Polícias Militar e Civil, registraram 650 mortes no período. Esse volume de ocorrências fatais fica atrás apenas dos números de 2024, ano marcado pela Operação Verão, que resultou em 56 óbitos e se consolidou como a ação mais letal da história da PM paulista desde o Massacre do Carandiru.

A atual administração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sinaliza uma inversão drástica na curva de violência institucional. Enquanto a gestão anterior, sob comando de João Doria, reduziu as mortes por intervenção de agentes em 54% entre 2020 e 2022, o governo atual caminha na direção oposta. No mesmo intervalo comparativo, os indicadores sob Tarcísio apontam um crescimento de 69% nas fatalidades.

Antes da posse do atual governador, a letalidade policial em SP encontrava-se no nível mais baixo em duas décadas. Os dados atuais compilam tanto incidentes ocorridos durante o serviço quanto confrontos envolvendo policiais fora do expediente (folga).

Impacto da gestão política na segurança

Especialistas apontam que a condução política da segurança pública influencia diretamente o comportamento nas ruas. Sérgio Adorno, coordenador científico do Núcleo de Estudos da Violência da USP, avalia o cenário:

“Há uma crescente contaminação política na gestão da segurança pública, tornando o controle sobre a letalidade policial menos rigoroso. O baixo custo político para permitir essa letalidade é problemático devido à falta de cobrança efetiva por parte da sociedade civil organizada.”

A letalidade policial em SP não se restringe mais apenas à capital ou ao litoral. O fenômeno da “interiorização das mortes” foi destacado pelo ouvidor das polícias, Mauro Caseri. Regiões como Ribeirão Preto e Campinas, além de cidades da Grande São Paulo como São Bernardo do Campo e Guarulhos, apresentaram altas significativas.

Casos emblemáticos e reações da Justiça

A natureza das ocorrências varia, mas episódios envolvendo cidadãos desarmados geraram forte comoção pública e questionamentos sobre o preparo da tropa em 2025.

  • Caso do Marceneiro: Guilherme Dias Santos Ferreira, 26 anos, foi morto com um tiro nas costas enquanto corria para pegar um ônibus. O autor, o policial Fabio Anderson Pereira de Almeida (de folga), alegou ter confundido a vítima com um assaltante. A Justiça o liberou em menos de duas semanas, citando “bons antecedentes”.
  • Ação em Paraisópolis: Igor Oliveira de Morais Santos foi morto em julho, mesmo estando com as mãos levantadas. O caso detonou protestos e destruição na comunidade.
  • Execução filmada: Em junho, um morador de rua foi mantido rendido por mais de uma hora antes de ser executado com tiros de fuzil. As câmeras corporais foram decisivas para a prisão em flagrante dos agentes.

O papel da tecnologia segue central no debate sobre a letalidade policial em SP. As novas câmeras corporais adquiridas na gestão Tarcísio permitem acionamento remoto, funcionalidade que facilitou a coleta de provas e a prisão de maus policiais em casos recentes.

O posicionamento oficial

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) defende a atuação das forças estaduais. A pasta afirma que todas as ocorrências de morte são investigadas rigorosamente pelas Polícias Civil e Militar, sob escrutínio das corregedorias, Ministério Público e Judiciário.

Segundo a SSP, os protocolos são revisados constantemente. Como medida de contenção de danos e modernização, o governo incorporou recentemente 3.500 armas não letais ao arsenal. A secretaria também destaca que, desde 2023, mais de 1.200 agentes foram punidos com prisão, demissão ou expulsão por condutas inadequadas.

Apesar das medidas administrativas, a preocupação com a qualidade das provas persiste. Casos com indícios claros de força excessiva frequentemente resultam em absolvições, levantando dúvidas sobre a preservação dos locais de crime e o uso correto das câmeras. O cenário exige monitoramento constante para que a letalidade policial em SP não retorne permanentemente aos patamares críticos de décadas passadas.

  • Publicado: 11/02/2026
  • Alterado: 11/02/2026
  • Autor: 28/12/2025
  • Fonte: Itaú Cultural