Lesão medular: Brasil cria remédio capaz de reverter danos
A polilaminina, derivada da placenta, promete regenerar a medula espinhal, trazendo esperança para paraplégicos e tetraplégicos. Estudos iniciais são promissores.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 10/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A placenta, um órgão vital na gestação, se tornou a fonte de uma proteína promissora que pode revolucionar o tratamento de lesões medulares. Essa descoberta traz esperanças para milhares de pessoas que, até então, não tinham alternativas efetivas para restabelecer movimentos após danos à medula espinhal.
A pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lidera um grupo de biólogos que investiga há 25 anos as propriedades da laminina, uma proteína crucial para a saúde do sistema nervoso. O resultado dessa pesquisa é a polilaminina, um novo medicamento apresentado recentemente pelo laboratório Cristália. Este fármaco promete ser capaz de regenerar a medula em indivíduos que sofreram rompimentos por acidentes variados, levando a quadros de paraplegia e tetraplegia.
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Os ensaios clínicos iniciais demonstraram resultados encorajadores: pacientes tratados com a polilaminina apresentaram recuperação total, retomando suas atividades diárias sem sequelas. Atualmente, o laboratório aguarda autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para avançar com estudos clínicos mais abrangentes. A expectativa é que essa autorização seja concedida em breve.
A Anvisa esclareceu que está avaliando os dados complementares enviados pelo laboratório, essenciais para prosseguir com os testes em humanos. Embora os resultados iniciais sejam promissores, a agência destaca que ainda não é possível afirmar sobre a segurança e eficácia do medicamento até que todos os testes necessários sejam realizados.
A polilaminina atua estimulando neurônios maduros a rejuvenescerem e formarem novos axônios, estruturas fundamentais para a transmissão dos impulsos elétricos no corpo humano. Durante a apresentação do novo fármaco, dois voluntários que participaram dos estudos clínicos compartilharam suas experiências.
Hawanna Cruz Ribeiro, uma atleta paralímpica que ficou tetraplégica após um acidente em 2017, relatou ter recuperado entre 60% e 70% do controle do tronco e notou melhorias na sensibilidade. “Não tenho dúvidas da minha melhora“, afirmou ela. Por outro lado, Bruno Drummond de Freitas, que também enfrentou paralisia após um acidente de trânsito, disse ter se recuperado completamente em cinco meses após receber o tratamento.
Além das aplicações em humanos, testes realizados em cães e ratos mostraram resultados igualmente positivos. Em cães com lesões na medula, houve recuperação total da marcha, enquanto ratos apresentaram respostas positivas em menos de 24 horas após a administração do fármaco.
O medicamento é fabricado utilizando placenta obtida de doadoras saudáveis durante toda a gravidez. Segundo Ogari Pacheco, presidente do conselho do Cristália, este é um dia histórico: “Estamos vivendo um momento único para a medicina”.
Lesões na medula espinhal podem ocorrer devido a diversos fatores, incluindo acidentes de trânsito e quedas. O dano à medula resulta na interrupção da comunicação entre o cérebro e o corpo, levando à perda total ou parcial dos movimentos.
A polilaminina representa uma inovação significativa no campo médico; no entanto, especialistas pedem cautela e enfatizam que os resultados devem ser analisados com rigor antes de qualquer conclusão definitiva. Os hospitais de São Paulo já estão preparados para aplicar o novo tratamento assim que receberem a autorização necessária.
Os pesquisadores também observam que o uso precoce da polilaminina pode aumentar as chances de recuperação completa. Embora ainda não se tenha certeza sobre sua eficácia em casos mais antigos de lesão medular, os estudos continuam sendo realizados.
Enquanto o processo de patenteamento avança lentamente, as duplicações dos estudos já foram confirmadas por laboratórios independentes. As informações sobre os testes científicos estão sendo mantidas sob sigilo para proteger a originalidade do método.
Paraplegia e Tetraplegia: Diferenças Cruciais
Conforme explica Hugo Sterman Neto, neurocirurgião do Hospital Vila Nova Star, paraplegia refere-se à incapacidade de movimentar os membros inferiores devido a lesões na medula espinhal abaixo da segunda vértebra torácica. Já a tetraplegia envolve perda total ou parcial dos movimentos nos membros superiores e inferiores devido a danos na medula cervical.
Além de acidentes traumáticos, doenças inflamatórias e tumores também podem levar às condições mencionadas. A gravidade das lesões varia amplamente; lesões agudas ou fraturas na coluna são frequentemente as causas mais críticas.