Leilão do túnel submerso Santos-Guarujá acontece nesta sexta (5)
Investimento de R$ 6,8 bilhões promete transformar mobilidade na região até 2030
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 05/09/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
O projeto do primeiro túnel submerso do Brasil, que conectará as cidades de Santos e Guarujá, é considerado uma das maiores iniciativas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Com uma extensão total de 1,5 km, a obra contará com aproximadamente 870 metros submersos.

A conexão entre a região de Outeirinhos e Macuco, em Santos, e o bairro Vicente de Carvalho, em Guarujá, será concretizada por meio de um leilão programado para esta sexta-feira (5), na B3, em São Paulo, a partir das 16h.
O investimento estimado para a construção do túnel é de R$ 6,8 bilhões. Duas empresas foram consideradas aptas a participar da licitação: a Acciona Concesiones, da Espanha, e a Mota-Engil, de Portugal.
A seleção da empresa vencedora ocorrerá com base na oferta de maior desconto sobre o valor mensal a ser pago pelo governo durante o período de concessão. Em caso de empate nas propostas, será realizada uma rodada de lances ao vivo. O contrato terá duração prevista de 30 anos.
A execução da obra resultará de uma colaboração entre os governos estadual e federal, com a iniciativa privada responsável pela construção, operação e manutenção do túnel.
Conforme o edital divulgado, as obras devem ser finalizadas até 2030. O túnel facilitará o tráfego de veículos leves, transporte público, caminhões, bicicletas e pedestres. Atualmente, cerca de 78 mil pessoas realizam diariamente a travessia entre as duas margens utilizando pequenas embarcações e balsas.
Túnel submerso Santos-Guarujá
O projeto do túnel tem uma longa história que remonta quase um século. A ideia inicial surgiu em janeiro de 1927 durante a gestão do governador Júlio Prestes e foi proposta pelo engenheiro Enéas Marini. Após várias décadas sem progresso significativo, o projeto voltou à tona com o lançamento do edital no início deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em parceria com o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A obra é vista como um marco histórico para a mobilidade na região e tem gerado disputas políticas entre os níveis federal e estadual. Ambos os líderes políticos têm ressaltado suas contribuições para a realização do projeto.
No lançamento do edital, Lula enfatizou a importância da colaboração institucional para o avanço da iniciativa. “Não podemos deixar de trabalhar juntos por questões pessoais”, declarou o presidente na ocasião.
Por outro lado, em manifestações mais recentes voltadas para suas bases eleitorais nas redes sociais, tanto Lula quanto Tarcísio têm mencionado a obra sem referência mútua. Tarcísio, ex-ministro no governo Bolsonaro e potencial candidato à presidência em 2026, é visto como um nome forte na oposição.
A construção do túnel seguirá um método inovador: ao invés dos tradicionais túneis escavados em rocha, o projeto utilizará blocos pré-moldados em concreto que serão submersos no canal. Essa técnica foi escolhida devido às características geológicas da área, composta por argilas moles que não suportam escavações profundas.
O Ministério dos Portos e Aeroportos esclareceu que essa abordagem apresenta vantagens ambientais e urbanas significativas, como menor necessidade de desapropriações e redução do impacto visual.
A construção de uma ponte foi descartada por conta das limitações impostas pela Base Aérea de Santos e pelo tráfego intenso de navios no canal portuário.
O processo construtivo seguirá rigorosas etapas para garantir segurança e precisão:
- Preparação do leito: A primeira etapa consiste na escavação do fundo do canal e na aplicação de uma base concreta. Os módulos pré-moldados também serão testados quanto à vedação e resistência nesta fase.
- Transporte dos módulos: Rebocadores levarão os módulos ao local exato onde serão submersos. A água será bombeada para afundar as estruturas gradualmente sob monitoramento eletrônico.
- Cobertura da estrutura: Após posicionar os módulos adequadamente, eles serão fixados com pinos de aço e cobertos com uma camada protetora de pedras contra impactos naturais.