97,3% das latinhas de alumínio foram recicladas no Brasil em 2024
De acordo com informações da Recicla Latas, o Brasil celebra 16 anos consecutivos com uma taxa de reaproveitamento superior a 96%
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 14/08/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
No vibrante dia de jogos no Estádio do Maracanã, localizado no Rio de Janeiro, a cena se repete: um grande número de torcedores aproveita os últimos momentos antes das revistas para consumir latinhas de cerveja e refrigerante, itens que são proibidos no interior do estádio. Assim que as latas são descartadas, uma verdadeira força-tarefa composta por catadores inicia a coleta imediata desses resíduos.
Esse trabalho diligente dos catadores, muitos dos quais vivem em condições de vulnerabilidade socioeconômica, contribui significativamente para que o Brasil mantenha índices elevados de reciclagem. Em 2024, a taxa atingiu impressionantes 97,3%, conforme dados divulgados recentemente pela Recicla Latas, uma associação sem fins lucrativos formada por fabricantes e recicladores de latas de alumínio.
De acordo com informações da Recicla Latas, o Brasil celebra 16 anos consecutivos com uma taxa de reaproveitamento superior a 96%. No ano passado, o índice foi ainda mais notável, alcançando 100,1%, o que significa que foram recicladas mais latas do que as vendidas. Em 2023, a taxa foi de 99,6%.
No total, 33,9 bilhões das 34,8 bilhões de latas comercializadas foram reutilizadas no último ano. Este ciclo é rápido: após serem descartadas, essas latinhas retornam às prateleiras em apenas 60 dias.
Logística Reversa
O secretário-executivo da Recicla Latas, Renato Paquet, destacou a eficácia do sistema de logística reversa no Brasil. “Mesmo enfrentando desafios ao longo dos anos, conseguimos manter altos índices de reciclagem. Isso reflete a robustez da colaboração entre os diversos setores envolvidos na cadeia”, afirmou Paquet.
A logística reversa é regulamentada pela Lei 12.305/2010, conhecida como Política Nacional de Resíduos Sólidos, e estabelece que os fabricantes devem assumir a responsabilidade pelo retorno dos resíduos gerados por seus produtos. A Recicla Latas colabora estreitamente com a Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e a Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas).
Janaina Donas, presidente da Abal, ressaltou que o Brasil é um modelo global em economia circular e que as indústrias veem na reciclagem não apenas uma solução ambiental, mas também uma estratégia para aumentar a competitividade e promover a descarbonização do setor. Cátilo Cândido, presidente da Abralatas, complementou afirmando que essa estrutura gera renda e oportunidades em todas as regiões do país.
O Papel dos Catadores
Estima-se que existam cerca de 800 mil catadores de materiais recicláveis atuando no Brasil, segundo o Movimento Nacional dos Catadores. Em 2020, um termo de compromisso foi firmado entre a Abralatas, a Abal e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), estabelecendo não apenas iniciativas para sustentar as altas taxas de reciclagem, mas também prevendo investimentos para melhorar as condições financeiras e sociais dos catadores.
Roberto Rocha, presidente da Associação Nacional dos Catadores (Ancat), afirmou à Agência Brasil que uma abordagem para aprimorar as condições de vida desses trabalhadores seria garantir pagamento não apenas pelo material coletado, mas também pelo próprio serviço de coleta. “Atualmente, ninguém remunera pelo trabalho de recuperação ou coleta das latinhas”, explicou ele.
A proposta da Ancat é que prefeituras financiem essa atividade com o apoio do setor privado. Rocha enfatiza que um programa abrangente para remunerar os serviços prestados pelos catadores é essencial para dignificar seu trabalho e melhorar sua qualidade de vida. Ele também pede atenção às necessidades dos catadores autônomos que não pertencem a cooperativas para garantir sua inclusão nas políticas advindas da lei de logística reversa.