Krav Maga ajuda mulheres a usar spray de pimenta com segurança
Spray de pimenta é aprovado para defesa feminina, mas Krav Maga alerta que uso exige técnica, preparo e controle emocional
- Publicado: 13/07/2026 10:25
- Alterado: 13/07/2026 10:25
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Krav Maga
O Senado Federal aprovou, no dia 30 de junho, o Projeto de Lei que autoriza a venda, aquisição e porte de spray de pimenta (aerossol de extratos vegetais) para defesa pessoal exclusiva de mulheres. A proposta aguarda sanção presidencial e estabelece regras para comercialização e utilização do produto.
Pelas novas regras, mulheres com mais de 18 anos poderão adquirir o item automaticamente. Já adolescentes de 16 e 17 anos terão acesso mediante autorização expressa dos responsáveis legais.
Para o Grão Mestre Kobi Lichtenstein, introdutor do Krav Maga na América Latina, qualquer recurso utilizado em uma situação de ameaça apresenta vantagens e limitações. Segundo ele, sem conhecimento técnico, o instrumento pode acabar sendo usado de forma inadequada e até prejudicar a própria vítima.
“Quando nos defendemos com nosso próprio corpo, buscamos atingir pontos sensíveis do agressor para interromper o ataque. O spray não funciona dessa maneira, pois não apresenta o mesmo efeito em todas as pessoas e, se não for direcionado corretamente, pode atingir quem está utilizando o produto”, explica.
Entre as orientações para utilização estão manter uma distância de disparo entre 1,5 e 3 metros, conforme o alcance do equipamento; realizar um acionamento firme e rápido na direção do rosto do agressor, priorizando olhos, nariz e boca; avaliar as condições do ambiente, evitando locais fechados ou com vento contrário; e ter uma rota de fuga planejada.
“O problema é que existem muitas variáveis que podem fazer com que uma ferramenta de defesa acabe causando mais dificuldades do que ajudando uma pessoa sem treinamento adequado”, afirma Kobi.
Krav Maga prepara mulheres para situações reais de ameaça

O Krav Maga é reconhecido mundialmente como uma técnica de defesa pessoal, e não como arte marcial competitiva. A modalidade não possui regras de combate ou competições, mas busca preparar os praticantes para reagirem diante de situações reais e retornarem em segurança para casa.
As técnicas são baseadas em movimentos simples, rápidos e objetivos, com foco em regiões sensíveis do corpo do agressor, como olhos, nariz, garganta e região genital. Dessa forma, o método busca reduzir a dependência da força física e permitir que pessoas com diferentes características consigam se defender.
Segundo Kobi Lichtenstein, quem pratica Krav Maga desenvolve controle corporal e emocional, além de maior percepção do ambiente e dos recursos disponíveis em uma situação de risco. “O praticante avalia em poucos segundos se possui o equipamento, as condições do local, o nível da ameaça e todos os fatores que podem contribuir para uma defesa eficiente”, destaca.
O treinamento também aborda situações em ambientes confinados, nos quais determinados recursos podem não ser adequados por causa do risco de contaminação do espaço. Nessas circunstâncias, a técnica oferece alternativas para que a mulher não fique vulnerável diante de um agressor.
“O Krav Maga ensina que mesmo em espaços pequenos, contra pessoas maiores, mais fortes ou armadas, é possível criar uma oportunidade de defesa e buscar a segurança”, afirma o especialista.
Treinamento ajuda no controle emocional durante agressões
Além da parte física, o preparo psicológico é considerado um dos principais fatores em uma situação de perigo. Há relatos de pessoas que, mesmo com um recurso de proteção em mãos, não conseguiram acioná-lo devido ao nervosismo ou perderam o controle após perceberem que o equipamento não teve o efeito esperado.
O uso do spray de pimenta em uma situação real exige tomada rápida de decisão, controle emocional e avaliação das circunstâncias. Para Kobi, o treinamento prepara o aluno justamente para momentos em que o medo pode impedir uma reação.
“O Krav Maga trabalha o aspecto mental para que a pessoa consiga agir quando acredita que não existe saída. O preparo físico e emocional aumenta a capacidade de resposta diante da ameaça”, completa.
Cresce procura pelo Krav Maga entre mulheres
A violência contra a mulher permanece como um dos principais desafios sociais e de segurança pública no Brasil, envolvendo agressões físicas, psicológicas, sexuais, patrimoniais e casos extremos de feminicídio.
Nesse cenário, a procura pelo Krav Maga aumentou 15% no período de um ano entre mulheres interessadas em aprender técnicas de defesa pessoal. Atualmente, elas representam 30% dos alunos da modalidade.
Para Kobi Lichtenstein, a prática contribui para transformar a relação das mulheres com o medo e fortalecer a autoconfiança. “O objetivo é que elas desenvolvam percepção, segurança e capacidade de reação diante de situações de risco”, conclui.