Kojima encanta fãs na BGS 2025 e fala sobre o futuro de seus jogos
Diretor japonês de Death Stranding 2 protagonizou uma sessão de perguntas e respostas, encontro com fãs e declarações sobre novos projetos da Kojima Productions
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 13/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A Brasil Game Show (BGS) 2025 teve em Hideo Kojima um de seus maiores destaques. O renomado diretor japonês, criador de franquias icônicas como Metal Gear e Death Stranding, participou de dois dias do evento, sábado (11) e domingo (12) e protagonizou momentos que ficaram marcados na memória dos fãs.
No sábado, Kojima participou de um meet and greet exclusivo com 200 fãs. Muitos chegaram por volta das 7h para garantir o acesso ao encontro, que aconteceu às 17h. Ainda no mesmo dia, o público pôde assistir à exibição de um documentário especial sobre sua trajetória e seu processo criativo, exibido em um dos palcos principais da feira.
Já no domingo, o criador japonês retornou ao evento para uma sessão de perguntas e respostas e também atuou como jurado no concurso de cosplay, atividade que encerrou a programação do evento com grande euforia.
“O Brasil é um dos públicos mais calorosos”, diz Kojima
Durante o painel de domingo, Hideo Kojima foi recebido por uma plateia lotada e muito entusiasmada. O diretor se mostrou emocionado com a energia dos brasileiros e comentou sobre a recepção de sua turnê internacional de Death Stranding 2: On the Beach.
“Cada país tem uma reação diferente, mas até agora, a reação do público em Hong Kong e em São Paulo é a mais intensa”, afirmou.
“O Brasil é um dos mais calorosos, porque os fãs daqui amam muito o criador do jogo e amam muito o jogo.”
A fala foi recebida com aplausos e gritos do público, reforçando o carinho dos fãs brasileiros. Kojima também refletiu sobre sua volta ao país após oito anos. “Eu queria ter voltado mais cedo… demorou, mas eu cheguei”, disse, arrancando risadas.
Kojima aproveita São Paulo como turista
Fora da feira, o diretor japonês aproveitou a estadia para conhecer alguns pontos turísticos da capital paulista. “No dia em que eu cheguei, eu fui conhecer o Beco do Batman, aí depois fui tomar um café numa cafeteria pertinho, o Coffee Lab. Hoje à noite vamos para a churrascaria”, contou.
Kojima também elogiou a gastronomia brasileira e demonstrou simpatia com o público. “Tudo o que a gente tem para comer no Brasil é muito bom. A gastronomia do Brasil é muito boa”, afirmou. Umas das apresentadoras, a influenciadora Bagi, também sugeriu que visitasse museus como a Pinacoteca e o MASP.
A escolha da Austrália para Death Stranding 2
Um dos momentos mais comentados da conversa com o público foi quando Kojima explicou por que escolheu a Austrália como cenário de Death Stranding 2: On the Beach.
“O primeiro jogo se passou na América do Norte, então eu queria explorar outro continente. A Austrália tem uma natureza muito diversa, com bosques, desertos e animais únicos. É ideal para o que eu queria retratar”, explicou.
Em seguida, o diretor foi questionado sobre a possibilidade de ambientar um jogo no Brasil e a Bagi comentou com bom humor: “O Brasil tem muitas opções — a Floresta Amazônica, o Cerrado, as grandes cidades. Eu tenho certeza de que o país ficaria lindo em um jogo.”
Kojima fala sobre trilha sonora e conexões humanas
Conhecido por tratar temas de isolamento e conexão em suas obras, Kojima abordou também o papel da música em seus jogos.
“Eu visito pessoalmente os compositores e faço encomendas de músicas especiais. Dentro do meu jogo, eu falo muito sobre a conexão, então na vida real também estou conectado com esses músicos”, contou.
A plateia reagiu com entusiasmo, especialmente quando o diretor mencionou a banda Low Roar, que marcou presença no primeiro Death Stranding. “Quem jogou sabe o quanto a trilha sonora é essencial na experiência. Mesmo a ausência de som em alguns momentos é significativa”, comentou o mediador.
Feedback dos fãs influenciou Death Stranding 2
Kojima explicou que a evolução entre o primeiro e o segundo jogo da série foi diretamente influenciada pelo público. “O que me motivou foi o feedback dos fãs”, disse. Segundo ele, a decisão de dar mais foco às cenas de combate e interação entre personagens veio de pedidos recorrentes da comunidade.
Um dos novos personagens do jogo, Domer, surgiu de uma inspiração pessoal.
“Eu era muito fã do trabalho de um ator e, quando ele visitou o Japão, acabei o convidando para o jogo. Foi um processo longo desenvolver o visual e o estilo do personagem”, explicou.
O diretor também comentou o retorno de Troy Baker como o vilão Higgs. “Durante a pandemia, eu o vi tocando violão e pensei: ele não é só ator, ele é músico. Então, deixei ele cantar no novo jogo”, revelou, arrancando risadas do público.
Kojima e o processo criativo com os atores
Ao ser questionado sobre o processo de seleção de elenco, Kojima explicou que valoriza a harmonia entre os envolvidos.
“Como o desenvolvimento de um jogo leva quatro ou cinco anos, é importante que sejam pessoas dedicadas e harmoniosas no trabalho”, destacou.
Ele também contou que gosta de observar o comportamento dos atores nos ensaios. “Durante os testes, observo o movimento de cada ator e às vezes mudo o figurino ou até aspectos da narrativa. Essas alterações acontecem naturalmente.”
Quando perguntado se gostaria de incluir atores brasileiros em seus futuros projetos, o diretor respondeu de forma positiva: “Ainda não tenho nenhum ator brasileiro nos jogos, mas vou considerar. Precisa ver.” E brincou: “Uma bossa nova combina muito com o jogo — imagina descer um morro fazendo entregas com uma bossa nova tocando no rádio.”
O futuro da Kojima Productions
Encerrando o painel, Hideo Kojima revelou novidades sobre o futuro da Kojima Productions, que completou dez anos recentemente.
“Estamos desenvolvendo um filme e um jogo de terror chamado Ode. Tenho muitos projetos na cabeça, quero criar um novo tipo de entretenimento que vá além do console, algo com uma visão futurista”, revelou.
Ao falar sobre a pressão por sempre inovar, o diretor foi direto: “Eu também tenho medo. Mas sem pressão, a gente não faz trabalho bonito. Então é preciso sim, vocês podem me pressionar.”
Com aplausos de pé, o público encerrou dois dias intensos de celebração ao trabalho de um dos nomes mais influentes da indústria dos games. Entre encontros emocionados, homenagens e longas filas de fãs, a passagem de Hideo Kojima pela BGS 2025 reforçou o papel do Brasil como um dos centros mais apaixonados da cultura gamer mundial.