Kassio Nunes suspende canal "Exército do Lula" no WhatsApp

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu o canal Exército do Lula no WhatsApp, após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro

Kassio Nunes suspende canal "Exército do Lula" no WhatsApp

Crédito: Reprodução

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou neste domingo (11) a suspensão do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A decisão atende a um pedido da campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que acusou o espaço de promover a disseminação coordenada de informações falsas contra sua candidatura. O canal reúne mais de 3 milhões de seguidores e é usado para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.

Kassio Nunes Marques fixa prazo de três horas para o WhatsApp

A ordem estabelece prazo de três horas, contado a partir da notificação, para que o WhatsApp interrompa o funcionamento do canal. A restrição impede a publicação de novas mensagens e o ingresso de seguidores até a homologação do resultado do segundo turno da eleição presidencial de 2026.

Na avaliação de Kassio Nunes Marques, o canal funcionava como uma estrutura centralizada de distribuição de conteúdos políticos, incluindo publicações que já haviam sido consideradas irregulares pela Justiça Eleitoral. Para o ministro, a circulação coordenada dessas mensagens justificava uma intervenção diretamente sobre o espaço usado para divulgá-las, já que a retirada isolada de publicações não bastaria diante da velocidade de compartilhamento do canal.

O ministro também sustentou que a proteção constitucional à liberdade de expressão não abrange a disseminação de conteúdos falsos no processo eleitoral. A decisão, no entanto, é limitada ao canal do WhatsApp e não determina o bloqueio dos perfis pessoais de Janones em outras funcionalidades da plataforma.

A campanha de Flávio Bolsonaro argumentou que o canal era usado para disseminar acusações contra o candidato, entre elas supostos vínculos com milícias e a alegação de que ele pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A representação também questionou conteúdos que atribuíam ao candidato planos de reduzir aposentadorias, benefícios assistenciais e reajustes do Bolsa Família — afirmações que a defesa de Flávio apresentou como exemplos de desinformação eleitoral.

WhatsApp deve prestar informações ao TSE em 48 horas

Além da suspensão, Kassio Nunes Marques determinou que o WhatsApp apresente, em 48 horas, informações sobre as providências adotadas para cumprir a ordem e identifique a existência de outros canais vinculados a Janones. A plataforma também deverá preservar, por um ano, registros, mensagens e metadados associados ao canal suspenso.

O TSE ainda não decidiu se Janones será impedido individualmente de usar a funcionalidade de canais do aplicativo. A análise dessa medida foi adiada até o recebimento dos esclarecimentos solicitados à empresa.

Campanha de Lula critica decisão e avalia medidas jurídicas

A coordenação da campanha de Lula reagiu e disse que a decisão de Kassio Nunes Marques causa “estranheza e revolta”, informando que analisa as medidas jurídicas cabíveis. Janones também criticou a suspensão: após a divulgação da ordem, usou mensagens de áudio e vídeo para convocar os participantes do canal a compartilhar conteúdos contra a decisão e anunciou a criação de um novo canal no Instagram.

Canal já era alvo de questionamentos desde o primeiro turno

O “Exército do Lula” foi criado por Janones após o primeiro turno para organizar a atuação de apoiadores da reeleição nas redes sociais, e cresceu em ritmo acelerado nos dias seguintes. Na terça-feira (6), integrantes da comunicação do PL organizaram uma ação com influenciadores de direita para tentar derrubar o canal. Na quarta (7), o senador Carlos Viana (PSD-MG) pediu ao Ministério Público Eleitoral que apurasse o funcionamento do espaço.

Outra ação de Flávio Bolsonaro tramita no TSE

A suspensão ocorre enquanto tramita no TSE outra ação do candidato do PL contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e Janones, que pede a cassação do registro ou diploma da chapa Lula-Alckmin. No sábado (10), o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, deu 72 horas para a defesa de Flávio apresentar esclarecimentos adicionais. O recebimento da ação não significa reconhecimento da veracidade das acusações: as eventuais irregularidades dependerão da análise das provas.

Gabriel de Jesus

  • Publicado: 11/10/2026 12:51
  • Alterado: 11/10/2026 12:51
  • Autor: Gabriel de Jesus