Justiça inicia audiência sobre feminicídio de soldado da PM
Primeira fase do processo reúne 40 testemunhas e deve se estender até sexta-feira; defesa da família afirma que provas reforçam acusação de feminicídio
- Publicado: 29/06/2026 15:55
- Alterado: 29/06/2026 15:55
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: TJSP
Teve início na manhã desta segunda-feira (29), no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista, a audiência de instrução do processo que apura a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana. O réu é o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da policial, que responde pelos crimes de feminicídio e fraude processual. A etapa é considerada uma das mais importantes da ação penal, pois reúne a produção das provas que servirão de base para a decisão da Justiça sobre o prosseguimento do caso.
A audiência deve se estender por cinco dias e prevê a oitiva de 40 testemunhas entre acusação e defesa. O interrogatório do tenente-coronel está previsto para ocorrer apenas na sexta-feira (3), após a conclusão dos depoimentos. Nesta segunda-feira, em razão do expediente remoto adotado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo durante o jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, os trabalhos ocorreram de forma virtual.
Depoimentos marcam início da instrução

As primeiras testemunhas ouvidas foram ligadas à acusação. Entre elas esteve o delegado responsável pela condução do inquérito policial que investigou as circunstâncias da morte da soldado. Nos próximos dias, as audiências passarão a ocorrer presencialmente no Complexo Judiciário Ministro Mário Guimarães, onde serão ouvidos os demais convocados pelas partes.
Gisele Alves Santana foi encontrada morta em 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde morava com o marido, na capital paulista. Na ocasião, o tenente-coronel acionou o socorro e comunicou às autoridades que a esposa teria cometido suicídio. A investigação, entretanto, levou à mudança da natureza da ocorrência para morte suspeita e, posteriormente, culminou na denúncia por feminicídio e fraude processual.
Família sustenta tese de feminicídio
Ao comentar o andamento da audiência, o advogado Miguel José da Silva Junior, que representa a família da soldado, afirmou que os depoimentos prestados até o momento reforçam a linha sustentada desde o início das investigações. Segundo ele, “está se comprovando que, realmente, estamos diante de um feminicídio e não de um suicídio, tese desde o início aventada pela família.”
Encerrada a fase de instrução, caberá à Justiça analisar todas as provas reunidas, os depoimentos e os interrogatórios para decidir os próximos passos do processo criminal.