Julgamento de Musk contra OpenAI entra na reta final nos EUA
Após três semanas de depoimentos intensos, jurados avaliam as acusações sobre o desvio da missão original do laboratório de tecnologia.
- Publicado: 18/05/2026 14:26
- Alterado: 18/05/2026 14:26
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O julgamento da OpenAI entrou na fase de deliberações do júri popular nesta semana em um tribunal nos Estados Unidos. O processo movido por Elon Musk em 2024 acusa a companhia de abandonar sua missão original sem fins lucrativos.
A disputa judicial marca o primeiro grande embate sobre os rumos comerciais da inteligência artificial no Vale do Silício. Os jurados agora isolam os fatos apresentados durante as audiências para decidir o futuro da empresa.
Musk ataca advogados e lamenta ingenuidade
O empresário abriu o julgamento da OpenAI com alertas alarmistas sobre o risco da tecnologia para o futuro da humanidade. Ele detalhou seu aporte inicial de US$ 38 milhões na fundação do laboratório.
“Dei o dinheiro praticamente em troca de nada e eles usaram isso para construir uma empresa avaliada em US$ 800 bilhões”, disparou o fundador da SpaceX, classificando sua postura no passado como ingênua.
O dono da rede social X demonstrou irritação no banco de testemunhas. Ele acusou a equipe jurídica da organização de tentar induzi-lo ao erro com perguntas capciosas.
Sam Altman rebate tentativa de controle
O atual CEO do laboratório prestou depoimento no dia 12 de maio e manteve uma postura reservada diante das provocações. Ele refutou as acusações de apropriação indevida e detalhou antigas negociações de poder.
Segundo o executivo, o autor da ação exigiu 90% das ações em 2017 e recusou formalizar a divisão de governança. Essas exigências frustradas formam o núcleo de disputa no julgamento da OpenAI.
A diretoria considerou inaceitável entregar o controle de um sistema tão avançado a um único indivíduo. A recusa gerou a cisão definitiva entre os antigos parceiros.
Os cadernos secretos de Greg Brockman
A defesa explorou anotações antigas do presidente da companhia para expor as intenções de lucro da equipe original. Os manuscritos detalhavam planos para excluir o bilionário das operações.
“Não há nada ali de que eu me envergonhe”, declarou Greg Brockman ao tribunal. O executivo revelou temer agressões físicas durante uma discussão ríspida com o antigo sócio.
Depoimento de Shivon Zilis ameaça processo
A ex-integrante do conselho administrativo e mãe de quatro filhos do empresário adicionou uma nova camada de complexidade ao julgamento da OpenAI. O testemunho revelou os bastidores da comunicação entre os executivos.
A cúpula da instituição argumenta que Shivon Zilis repassava informações confidenciais ao ex-sócio entre 2020 e 2023. Ela respondeu aos questionamentos com ironia e brevidade.
“Relação é um termo relativo”, ironizou a testemunha ao ser questionada sobre seu vínculo com o bilionário. Ela admitiu a existência de encontros românticos logo na sequência.
As mensagens trocadas entre os envolvidos sugerem total ciência prévia sobre a guinada comercial da organização. A comprovação desse cenário pode levar à anulação imediata do julgamento da OpenAI pelo tribunal antes mesmo do veredito final.