Ivermectina e câncer: a polêmica por trás do medicamento antiparasitário

Medicamento tem aumento de buscas e desinformação

Crédito: (Imagem: Freepik)

Médicos e especialistas têm observado um crescimento nas buscas e na disseminação de informações imprecisas sobre o uso da ivermectina no tratamento do câncer.

Skyler Johnson, oncologista de radiação no Instituto de Câncer Huntsman da Universidade de Utah, afirma que recebe perguntas recorrentes sobre a eficácia do medicamento, um fenômeno intensificado nos últimos meses.

O interesse recente pode ter sido impulsionado por declarações feitas no podcast “The Joe Rogan Experience”. Em janeiro, o ator Mel Gibson alegou que três amigos diagnosticados com câncer em estágio avançado se recuperaram após usarem ivermectina.

O episódio, que teve 10 milhões de visualizações no YouTube, ajudou a espalhar alegações não comprovadas sobre o medicamento. Paralelamente, diversos estados norte-americanos têm promovido legislações para facilitar o acesso ao remédio.

No Arkansas, uma nova lei permite a compra de ivermectina sem receita médica. Estados como Geórgia, Texas, Virgínia Ocidental, Alabama, Louisiana e Kentucky também estudam iniciativas semelhantes.

O que dizem os cientistas

A ciência não respalda o uso da ivermectina para o câncer. Estudos sugerem que o medicamento pode matar certos tipos de células cancerígenas em laboratório, mas ainda não há comprovação de eficácia em humanos.

Pesquisadores como Peter P. Lee, do Instituto de Pesquisa Beckman da City of Hope, alertam que testes em animais não garantem os mesmos resultados em humanos.Larry Norton, diretor médico do Centro de Mama Evelyn H. Lauder, ressalta que a droga está sendo investigada, mas que não representa um avanço no tratamento do câncer.

Enquanto isso, Johnson relata casos de pacientes que abandonaram terapias comprovadas para apostar na ivermectina, resultando no agravamento da doença.

Os riscos do uso indevido

A ivermectina é segura quando utilizada nas doses recomendadas para tratar infecções parasitárias. No entanto, seu uso indiscriminado pode causar efeitos colaterais graves, como alterações na visão, confusão e convulsões. Em altas doses, o medicamento pode levar ao coma ou até mesmo à morte.

David Boulware, médico de doenças infecciosas da Universidade de Minnesota, alerta que pacientes podem comprometer tratamentos tradicionais ao combiná-los com a ivermectina. O medicamento pode interferir na metabolização de outros fármacos, incluindo anticoagulantes, aumentando o risco de complicações graves.

Diante do aumento da desinformação, especialistas reforçam a importância de recorrer a tratamentos cientificamente validados e de consultar médicos antes de aderir a alternativas não comprovadas.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 31/03/2025
  • Fonte: FERVER