Iveco aposta alto mesmo com o mercado em marcha lenta
Crescimento de 21%, exportações em alta e aposta em gás e elétricos marcam semestre da montadora em meio à queda no mercado de caminhões
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 28/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
No primeiro semestre de 2025, os segmentos que compõem o mercado de veículos comerciais seguiram direções distintas no mercado brasileiro. Pelos dados da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o setor de caminhões teve queda de 3,62 % nos emplacamentos em relação ao mesmo período do ano passado. Já as vendas de ônibus estão embaladas, e cresceram 24,52 % no primeiro semestre, enquanto os emplacamentos de comerciais leves (inclui picapes, vans e furgões) aumentaram 10,74%, puxados especialmente pelo avanço na demanda por entregas a domicílio, o chamado “delivery”.
Nesse contexto de tendências variadas, a Iveco é uma das empresas que estão conseguindo se sair bem. A marca italiana completa 50 anos em 2025, atua no Brasil desde 1997 e há 25 anos tem fábrica na cidade mineira de Sete Lagoas, na qual produz caminhões, ônibus, furgões e vans.

No primeiro semestre deste ano, registrou crescimento de 21% nos emplacamentos em comparação com o mesmo período de 2024. “Mas a expectativa é de um cenário desafiador para o restante de 2025”, avisa Marco Aurélio Pacheco, que assumiu há um ano a direção comercial da Iveco no Brasil. Graduado em Engenharia Mecânica pela Universidade Mackenzie e com MBA em Marketing de Serviços pela USP, o executivo paulistano acumula 25 anos de experiência em empresas do setor automotivo, como General Motors e Nissan, em áreas de vendas, pós-venda e marketing.
Pergunta – Encerrado o primeiro semestre de 2025, quais são as expectativas da Iveco para o mercado brasileiro de caminhões?
Pacheco – A expectativa é de que se mantenha a atual tendência de retração no mercado de caminhões, conforme projeções da Anfavea. A queda das vendas é puxada principalmente pelo recuo de 23% no segmento de veículos pesados no primeiro semestre, impactado pela elevada taxa de juros Selic de 15% e pelas dificuldades de acesso ao crédito. Apesar desse contexto, a Iveco identifica boas oportunidades em áreas como renovação de frota, pós-venda, nacionalização de componentes e exportações.

Pergunta – No primeiro semestre, quais modelos da Iveco se destacaram no mercado brasileiro?
Pacheco – Dentro do crescimento de 21% da Iveco nos emplacamentos do primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano passado, os modelos que mais se destacaram são o pesado S-Way, com crescimento de 42% nos emplacamentos e já entre os cinco caminhões pesados mais vendidos do ano, e o Daily, que mantém a liderança no segmento de chassi-cabine a diesel, com aproximadamente 44% de participação de mercado.

Pergunta – Em termos de combustíveis alternativos, como andam os planos da Iveco para o Brasil?
Pacheco – A Iveco está investindo fortemente em soluções sustentáveis de propulsão. Nosso portfólio multienergético contempla modelos a gás natural e biometano, como o Tector e o S-Way, além da eDaily elétrica, voltada para o segmento de leves com foco em emissões zero. Somos a única montadora na América Latina a oferecer uma linha completa de alternativas energéticas, do leve ao pesado. Estamos preparados para atender às demandas de vários segmentos, aliando rentabilidade à sustentabilidade.

Pergunta – A fábrica da Iveco em Sete Lagoas (MG) também abastece outros mercados latino-americanos. Como andam as exportações da marca?
Pacheco – As exportações da Iveco registraram crescimento expressivo no primeiro semestre de 2025. De janeiro a junho, a marca exportou seis vezes mais caminhões para a Argentina em comparação com o mesmo período de 2024. Estamos aproveitando a valorização do dólar e do euro para consolidar o Brasil como um hub de exportação na região. O plano é ampliar bastante a presença nos mercados latino-americanos, especialmente com modelos como o S-Way.