Irã acusa EUA de romper acordo e promete reação após ataques
Negociador iraniano afirma que Washington descumpriu compromisso firmado em junho; escalada militar amplia tensão no Oriente Médio
- Publicado: 12/07/2026 13:15
- Alterado: 12/07/2026 13:15
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
O negociador-chefe do Irã e porta-voz do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou neste domingo (12) que os Estados Unidos deixaram de cumprir os compromissos assumidos no memorando de entendimento firmado entre os dois países em junho. Em publicação na rede social X, ele declarou que “a era dos acordos unilaterais acabou” e afirmou que Washington “pagará o preço” pelos recentes ataques realizados contra o território iraniano.
Segundo Ghalibaf, os EUA descumpriram o acordo ao promover uma nova ofensiva militar, o que, na avaliação do governo iraniano, inviabiliza novas negociações nos mesmos termos.
Memorando previa segurança na navegação
O pronunciamento do representante iraniano foi acompanhado da divulgação de um trecho do memorando assinado em 17 de junho entre os dois países. O documento estabelecia que o Irã faria seus melhores esforços, durante 60 dias, para garantir a passagem segura e sem cobrança de taxas para embarcações comerciais entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã.
A segurança da navegação na região tornou-se um dos principais pontos de tensão após os Estados Unidos justificarem a nova ofensiva militar com base em incidentes envolvendo navios comerciais.
Conflito começou após incidentes no Estreito de Ormuz
De acordo com autoridades americanas, o confronto teve início depois que forças iranianas atacaram um cargueiro de Chipre que navegava por uma rota considerada não autorizada no Estreito de Ormuz. Uma segunda embarcação, acusada de desligar os sistemas de monitoramento, também foi atingida.
Apesar da declaração iraniana de que o estreito estaria fechado, a Organização Marítima e de Transportes do Reino Unido informou que a rota sul permanece operacional e foi ampliada para permitir o tráfego de embarcações nos dois sentidos. O órgão, no entanto, mantém o nível máximo de alerta para a navegação na região.
Ataques ampliam crise no Oriente Médio
Em resposta aos incidentes marítimos, os Estados Unidos informaram ter realizado ataques contra pelo menos 140 alvos em território iraniano. Segundo o Comando Central dos EUA, a operação destruiu bases de mísseis, drones, depósitos de munição e estruturas de comunicação.
O Irã reagiu lançando mísseis e drones contra países do Golfo Pérsico, incluindo Jordânia, Bahrein, Catar, Omã e Emirados Árabes Unidos.
As nações atingidas condenaram as ações militares iranianas. O Catar declarou que tem o direito de responder aos ataques sofridos contra seu território, onde está localizada a base aérea de Al Udeid, uma das principais instalações militares dos Estados Unidos na região.
Já o Líbano manifestou solidariedade aos países atingidos. Em comunicado divulgado pela Agência Nacional de Notícias, o primeiro-ministro Nawaf Salam afirmou apoio às nações alvo das ofensivas iranianas.
Acordo de paz perde força com nova escalada
A troca de ataques coloca em risco o memorando de entendimento firmado em 17 de junho, que buscava reduzir as tensões e criar condições para um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.
Com o agravamento do conflito e a continuidade das ações militares, aumentam as incertezas sobre a estabilidade no Oriente Médio e sobre a segurança das principais rotas marítimas utilizadas pelo comércio internacional.