Irã ataca países do Golfo após ofensiva dos EUA e eleva tensão
Jordânia, Kuwait, Omã e Catar foram alvos de mísseis iranianos neste domingo (12), horas depois de bombardeios dos Estados Unidos contra alvos militares no território iraniano.
- Publicado: 12/07/2026 09:16
- Alterado: 12/07/2026 09:16
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O Irã atacou neste domingo (12) alvos ligados aos Estados Unidos em três países do Golfo Pérsico, resposta a uma nova ofensiva americana contra o território iraniano ocorrida no dia anterior. Em comunicado, além de anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter destruído um centro de comando e controle e hangares de drones na Jordânia, atacado um radar americano no Kuwait, atingido plataformas de apoio e reabastecimento de porta-aviões no Omã e destruído um centro de manutenção de jatos e uma instalação de comando no Catar.
Catar confirma feridos e condena escalada
Autoridades dos Emirados Árabes Unidos afirmaram inicialmente que seus sistemas de defesa haviam interceptado mísseis e drones vindos do Irã, mas depois confirmaram que as ameaças detectadas estavam fora das fronteiras do país. Sirenes de alerta soaram no Bahrein.
O governo do Catar confirmou a interceptação de mísseis em seu território e informou que três pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas por estilhaços. O país condenou os ataques aos vizinhos, classificando-os como uma escalada grave que complica os esforços para conter as tensões na região. Já a agência estatal de notícias da Jordânia informou que três mísseis disparados do território iraniano causaram apenas danos materiais leves, sem vítimas.
EUA dizem ter atingido 140 alvos militares iranianos
Os ataques representam uma escalada acentuada do conflito. No sábado (11), o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos afirmou ter atingido 140 alvos militares iranianos, de um total de mais de 300 ao longo de três noites de bombardeios, com o objetivo de reduzir a capacidade do Irã de atacar marinheiros civis e embarcações comerciais que cruzam o estreito.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, publicou em rede social que o Irã fez uma má escolha e agora está pagando o preço.
A mídia estatal iraniana relatou explosões no sul do país, nas cidades de Bandar Abbas, Sirik e Jask, na ilha de Qeshm e também na província do Khuzistão, na fronteira com o Iraque, sem relatos imediatos de vítimas. As agências Mehr e Tasnim, citando uma autoridade local, informaram que a ofensiva americana matou o tenente Hamidreza Dehghani, da Marinha das Forças Armadas iranianas, durante o que classificaram como um ataque ao porto de Jask.
Irã fecha Estreito de Ormuz e atinge navio próximo a Omã
Depois dos bombardeios americanos, o Irã afirmou ter fechado o Estreito de Ormuz e disparado tiros de advertência contra embarcações que teriam ignorado avisos ao seguir rotas não autorizadas. Segundo a Guarda Revolucionária, uma embarcação que desativou seus sistemas de segurança marítima foi atingida e detida, e o estreito permanecerá fechado até nova ordem e até a conclusão das operações americanas na região.
Neste domingo, a agência britânica de segurança marítima UKMTO registrou um ataque a cerca de 17 km a leste da Península de Musandam, pertencente a Omã, que provocou incêndio a bordo de um navio e obrigou a tripulação a abandoná-lo em um bote salva-vidas. Autoridades de Omã informaram que 23 tripulantes do navio GFS Galaxy foram resgatados, mas a busca por um tripulante desaparecido continua. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, que atua como mediador no conflito, pediu que as partes exerçam moderação.
Negociações entre Irã e Omã não evitaram nova escalada
Antes dos ataques deste domingo, Irã e Omã haviam realizado, no sábado, negociações sobre a guerra e a navegação em Ormuz, com participação de uma delegação do Catar, outro país que atua como mediador. Autoridades diplomáticas iranianas declararam que os arranjos futuros para a gestão do tráfego no estreito devem ser definidos em conjunto pelos dois Estados costeiros, com discussões nos níveis político, técnico e jurídico para chegar a um consenso sobre a segurança da navegação.
Apesar das conversas, o caminho diplomático não vem se mostrando efetivo. Em 17 de junho, Estados Unidos e Irã assinaram um memorando de entendimento acompanhado de um cessar-fogo, com prazo de 60 dias para uma solução definitiva do conflito. Desde a quarta-feira anterior (8), porém, o presidente americano Donald Trump vinha repetindo que o acordo havia acabado. Um dia antes disso, em 7 de julho, os Estados Unidos já haviam bombardeado alvos no Irã, após acusar Teerã de atacar três navios comerciais no Estreito de Ormuz.
A tensão aumentou ainda mais no sábado (11), após o funeral do líder supremo iraniano Ali Khamenei, morto por ataques dos Estados Unidos e de Israel no início da guerra. No velório, manifestantes iranianos pediram a morte de Trump em cartazes, e o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que uma vingança era inevitável.
Na sexta-feira (10), depois de notícias sobre um suposto plano iraniano para assassiná-lo, Trump acusou o Irã de conspiração e voltou a ameaçar destruir completamente todas as regiões do país caso o regime tente atacá-lo.