Investigações revelam irregularidades em contratos da Fundação São Francisco de Assis com a Alerj
Controvérsia em torno de R$ 23,5 milhões: Fundação São Francisco de Assis sob investigação após evento da Alerj levanta suspeitas de irregularidades.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 16/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Carlos Favoreto, que ocupa simultaneamente os cargos de presidente do Conselho Deliberativo da Fundação São Francisco de Assis e do Campo de Golfe Olímpico, foi o anfitrião de um evento controverso realizado no espaço que gerencia. O encontro, que ocorreu em dezembro de 2024, está no centro de uma polêmica relacionada à liberação de R$ 23,5 milhões pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) à fundação.
A quantia foi destinada ao desenvolvimento de um Centro de Pesquisa e Documentação Legislativa (CPDOC-Alerj), mas a falta de licitação e transparência no processo gerou preocupações. Os pagamentos foram realizados em três parcelas, com registros em um banco de dados estadual, mas sem qualquer informação disponível no site da Alerj sobre o convênio estabelecido.
Além disso, a Fundação São Francisco de Assis, que anteriormente enfrentava sérias dificuldades financeiras e operava como um canil falido, transformou-se em uma gestora de contratos significativos com o estado. Desde 2021, a fundação já recebeu mais de R$ 94 milhões provenientes de diversos órgãos públicos, incluindo a Secretaria Estadual do Ambiente e o Departamento de Estradas de Rodagem.
A festa realizada pela Alerj, amplamente descrita como uma das melhores confraternizações anuais, contou com entretenimento gratuito e comida à vontade. Cada um dos 70 deputados teve direito a dois acompanhantes. Embora a Alerj tenha alegado que os custos foram rateados entre os participantes, diversas fontes anônimas garantiram ao RJ2 que não houve contribuição financeira dos deputados para o evento.
O campo em que o evento ocorreu é administrado por Carlos Favoreto, cujo envolvimento nos contratos milionários da fundação levanta questões sobre possíveis conflitos de interesse. O empresário também controla o Fundo da Mata Atlântica, cujos recursos são oriundos de empresas que causam danos ambientais e movimentaram cerca de R$ 400 milhões apenas no ano passado.
Após as revelações feitas pelo RJ2, a Secretaria do Ambiente e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico iniciaram sindicâncias para investigar os contratos com a fundação. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) também estão analisando as denúncias relacionadas às irregularidades nos pagamentos.
A Alerj defendeu os gastos alegando que eles são parte de um convênio firmado com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável por indicar as fundações envolvidas no projeto. No entanto, não há documentação disponível na internet ou no Diário Oficial que comprove essa justificativa.
O caso continua sendo acompanhado pelas autoridades competentes enquanto os cidadãos aguardam esclarecimentos sobre o uso dos recursos públicos e a transparência nas operações da Fundação São Francisco de Assis.