10% dos jovens recorrem à inteligência artificial para lidar com emoções
Estudo TIC Kids Online Brasil revela busca de jovens por apoio em chatbots, gerando alerta de especialistas.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 22/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Um dado alarmante emergiu da nova pesquisa TIC Kids Online Brasil, divulgada nesta quarta-feira (22): um em cada dez (10%) crianças e adolescentes no país já utilizou ferramentas de inteligência artificial generativa para discutir questões emocionais ou pessoais. O levantamento, conduzido pelo Cetic.br, mapeia o comportamento digital da faixa etária de 9 a 17 anos.
A análise foi robusta, entrevistando 2.370 jovens e seus responsáveis, com coletas realizadas entre março e setembro de 2025.
LEIA MAIS: ChatGPT Atlas: O novo navegador com IA da OpenAI
O alcance do uso de IA entre jovens
Os resultados mostram uma adoção ampla da tecnologia: 65% dos entrevistados já interagiram com alguma IA generativa. O principal motivo alegado para esse uso, no entanto, é o auxílio em pesquisas escolares e tarefas acadêmicas, mostrando a rápida integração dessas ferramentas na rotina de estudos.
A busca por apoio emocional em chatbots
Contudo, o foco de preocupação da pesquisa é o uso da inteligência artificial para lidar com emoções. Esse comportamento é ainda mais prevalente entre os mais velhos: 16% dos adolescentes de 15 a 17 anos admitiram buscar consolo em chatbots. Na faixa de 13 a 14 anos, o índice foi de 12%.
Essa tendência não é isolada. Pesquisas internacionais apontam que ferramentas como o Chat GPT estão se tornando confidentes digitais para adolescentes. Especialistas, no entanto, alertam para os riscos significativos. Análises de segurança já identificaram que o uso da inteligência artificial para lidar com emoções pode ser perigoso, com sistemas fornecendo conselhos inadequados ou até nocivos sobre temas sensíveis, como a automutilação. A busca por inteligência artificial para lidar com emoções expõe uma nova vulnerabilidade.

Alerta sobre tecnologia emergente
Luisa Adib, coordenadora da pesquisa, destacou a cautela necessária ao avaliar o uso da inteligência artificial para lidar com emoções por esse público.
“É fundamental reconhecer que estamos lidando com uma tecnologia emergente, cujas falhas e limitações ainda estão sendo exploradas. Existe o perigo de que essas crianças e adolescentes recebam informações erradas ou prejudiciais ao abordarem questões sensíveis, muitas vezes difíceis até mesmo para discutir com adultos de confiança“, afirma Adib.
O estudo do Cetic.br sublinha uma nova realidade onde a inteligência artificial para lidar com emoções se torna uma alternativa para jovens, mas também expõe a vulnerabilidade desse grupo a conselhos não moderados. A interação com a inteligência artificial para lidar com emoções exige um debate urgente sobre segurança e regulação.