IA avança nas empresas, mas profissionais ainda não acompanham
Levantamento mostra que só 19,3% se sentem preparados para usar inteligência artificial no trabalho, enquanto empresas já aceleram adoção
- Publicado: 02/04/2026 17:52
- Alterado: 02/04/2026 17:52
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: Assessoria
A inteligência artificial já deixou de ser tendência e passou a ocupar espaço real nas operações das empresas. O problema é que essa transformação não vem sendo acompanhada na mesma velocidade pelos profissionais. Um levantamento da Serasa Experian mostra que apenas 19,3% dos brasileiros se sentem preparados para utilizar IA no trabalho, enquanto 60,5% afirmam estar apenas parcialmente prontos para lidar com a tecnologia no dia a dia.
Na prática, o cenário revela um descompasso entre o avanço tecnológico e a adaptação das pessoas. Para Rodrigo Spínola, fundador da Dalton Lab, o erro está na forma como a inteligência artificial vem sendo incorporada. “Existe uma inversão acontecendo nas empresas, a tecnologia já está pronta para operar, mas as pessoas e os processos ainda não estão preparados para trabalhar com ela”, afirma.
Esse movimento também expõe diferenças geracionais. Profissionais mais jovens, especialmente da Geração Z, se sentem mais preparados para lidar com a tecnologia, enquanto Millennials aparecem em posição intermediária. Já entre profissionais da Geração X e Baby Boomers, o nível de preparo é menor, indicando maior dificuldade de adaptação.
Segundo o especialista, a mudança vai além da adoção de ferramentas. “Não é uma questão de substituir pessoas. É uma questão de substituir tarefas. E isso muda completamente a lógica de como as empresas precisam se organizar”, explica.
Sem reorganização de processos, Inteligência Artificial não gera ganho real

Apesar da baixa preparação, a inteligência artificial já começa a assumir funções mais complexas dentro das empresas. Uma nova geração de sistemas, os chamados agentes de IA, passa a executar tarefas completas, indo além de automações simples e apoio operacional. “Antes, a IA ajudava. Agora, ela executa. Isso significa que processos inteiros passam a ser operados por sistemas”, afirma Spínola. Na prática, atividades repetitivas tendem a ser absorvidas por sistemas inteligentes, enquanto profissionais migram para funções mais estratégicas.
O desafio, no entanto, não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é aplicada. “Hoje existe muito mais adoção superficial do que transformação real. As empresas testam Inteligência Artificial, mas não mudam a forma como operam. E sem essa mudança, o impacto é limitado”, diz.
Em alguns casos, o impacto já começa a aparecer de forma concreta. Uma empresa do setor de atacado, ligada ao grupo Atacamix/MundialMix, decidiu investir mais de R$ 1,5 milhão na Dalton Lab após identificar ganhos diretos de produtividade com o uso da tecnologia. “Quando a IA começa a gerar resultado direto na operação, ela deixa de ser vista como custo e passa a ser tratada como investimento estratégico”, explica o especialista.
A tendência, segundo ele, não é de substituição total de profissionais, mas de transformação do trabalho. “A IA não elimina profissionais. Ela muda o papel deles dentro das empresas. O profissional deixa de executar tarefa e passa a gerenciar processo”, afirma.
Nos próximos anos, a expectativa é que a inteligência artificial deixe de ser um recurso adicional e passe a fazer parte da própria estrutura das empresas. Nesse cenário, o diferencial não será apenas usar tecnologia, mas saber integrá-la ao dia a dia. “Quem entender esse movimento mais rápido vai sair na frente, não por usar IA, mas por saber trabalhar com ela”, conclui.