Início da campanha nacional de vacinação contra a gripe: importância e medidas de prevenção

Iniciou em 7 de março a Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe. O ministério alerta para aumento de doenças respiratórias no outono e inverno.

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No dia 7 de março, o Ministério da Saúde deu início à Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe, uma ação que se estenderá ao longo do ano. A vacina, que é atualizada anualmente, oferece proteção contra os vírus H1N1 (influenza tipo A, responsável pela gripe suína), H3N2 (outra variante da influenza A) e influenza B, todos causadores de doenças sazonais que tendem a ser mais prevalentes durante os meses de outono e inverno.

Dados do Hospital do Coração (HCor), localizado em São Paulo, revelam um aumento significativo entre 30% e 40% nas consultas relacionadas a problemas respiratórios e cardiovasculares durante essa época do ano. Ana Paula Sayuri Sato, professora associada no Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, atribui esse fenômeno a uma combinação de fatores climáticos e comportamentais. As baixas temperaturas e a umidade reduzida podem ressecar as mucosas das vias aéreas, tornando os indivíduos mais vulneráveis a infecções e afetando a resposta imunológica. Além disso, o comportamento social, que inclui a permanência em ambientes fechados e a aglomeração de pessoas, contribui para o aumento da incidência de doenças respiratórias.

A professora Sato explica que as patologias respiratórias mais frequentes nesta época incluem resfriados comuns, gripes, pneumonias, bronquites e faringites. Também são observadas doenças não infecciosas como asma e rinite alérgica, especialmente devido ao tempo seco.

Os grupos mais vulneráveis a essas enfermidades incluem crianças, idosos e pessoas com condições clínicas que comprometem o sistema imunológico, como aqueles que utilizam medicamentos imunossupressores ou que pertencem a comunidades específicas como indígenas ou pessoas em situação de rua. Esses grupos são classificados como de risco por sua maior propensão a complicações graves.

Embora o reconhecimento da importância das vacinas seja amplamente aceito, a adesão da população tem sido motivo de preocupação. Ana Paula Sato destaca uma queda significativa nas taxas de vacinação desde 2016, alertando sobre os riscos do retorno de doenças previamente controladas, como sarampo e poliomielite. O sarampo, que havia sido considerado erradicado na década passada, registrou surtos significativos entre 2018 e 2019. A expectativa é que o Brasil mantenha seu status como país livre da doença em 2024.

As vacinas funcionam como agentes imunobiológicos que preparam o sistema imunológico para combater infecções. Elas podem conter vírus atenuados ou inativados e oferecem proteção não apenas aos vacinados, mas também àqueles que não podem ser vacinados por questões de saúde.

Dentre os fatores que influenciam a diminuição das coberturas vacinais estão questões logísticas e operacionais, além da hesitação dos pais em vacinar seus filhos devido a dúvidas sobre a segurança das vacinas. A propagação de movimentos antivacina no Brasil e no mundo também tem contribuído para esse cenário. Contudo, entre 2022 e 2024, foi observado um aumento nas coberturas vacinais para algumas vacinas essenciais.

A professora enfatiza que o Ministério da Saúde tem se esforçado para melhorar as taxas de vacinação através do Programa Nacional de Imunizações. Iniciativas têm sido realizadas para garantir um microplanejamento eficiente das ações vacinais, adaptando-se às diferentes realidades locais.

Além da vacinação, Ana Paula recomenda outras práticas preventivas para fortalecer o sistema imunológico e evitar doenças respiratórias. Entre elas estão manter hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, hidratação adequada e prática regular de atividades físicas. Medidas adicionais incluem higiene das mãos frequente, etiqueta respiratória aprendida durante a pandemia de covid-19 — como tossir ou espirrar em lenços descartáveis — evitar aglomerações e utilizar máscaras quando necessário.

A manutenção da saúde respiratória é fundamental durante os meses mais frios do ano. Um acompanhamento médico regular é recomendado para minimizar riscos associados às infecções respiratórias.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 11/04/2025
  • Fonte: FERVER