Inflação desacelera em junho
Entenda as mudanças nos preços dos alimentos e transportes
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 10/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O mês de junho registrou uma significativa mudança na dinâmica dos preços, marcando a primeira redução no custo dos alimentos após um período de nove meses. Este movimento contribuiu para que a inflação oficial apresentasse uma desaceleração pelo quarto mês consecutivo, encerrando junho com uma taxa de 0,24%.
No entanto, a bandeira vermelha na tarifa de energia elétrica teve um efeito contrário, elevando o custo da luz e tornando-se o principal fator de pressão sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (10).

Em comparação ao mesmo mês do ano anterior, quando a inflação foi de 0,21%, observa-se uma queda contínua na taxa do IPCA desde fevereiro de 2025, quando alcançou 1,31%. A sequência de quedas foi registrada em março (0,56%), abril (0,43%), maio (0,26%) e culminou em junho com 0,24%.
Apesar dessa tendência de desaceleração nos últimos meses, o acumulado do IPCA em 12 meses atingiu 5,35%, permanecendo acima do limite estabelecido pelo governo, que é de até 4,5%. Essa situação representa o sexto mês consecutivo em que o índice supera a meta. O pico foi registrado em abril, com uma alta de 5,53%.
Dentre os nove grupos analisados pelo IBGE, apenas um apresentou queda: o setor de alimentos e bebidas, que teve uma redução de 0,18%, contribuindo com 0,04 ponto percentual ao índice geral.
A queda nos preços dos alimentos é atribuída principalmente ao aumento da oferta decorrente da boa safra. O preço da alimentação no domicílio passou de uma leve alta de 0,02% em maio para uma redução expressiva de -0,43% em junho. Os principais responsáveis pela diminuição foram os preços do ovo de galinha (-6,58%), arroz (-3,23%) e frutas (-2,22%). Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, destacou que a produção abundante tem sido crucial para essa diminuição nos preços.

Embora o café tenha registrado um aumento moderado de 0,56% em junho – significativamente inferior à alta observada em maio (4,59%) – ainda acumula uma elevação expressiva de 77,88% nos últimos doze meses.
A alimentação fora do domicílio também desacelerou sua taxa para 0,46% em junho após registrar 0,58% no mês anterior.
Impacto da Energia Elétrica
O segmento que mais pressionou o IPCA para cima foi a energia elétrica. Com um aumento de 2,96% no mês passado e um impacto correspondente a 0,12 ponto percentual no índice geral. Essa elevação é atribuída principalmente à bandeira vermelha patamar 1 que adiciona R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora consumidos. A alteração tarifária reflete um cenário adverso pós-período chuvoso e um prognóstico desfavorável para a geração hidrelétrica nos próximos meses.
Adicionalmente, reajustes nas tarifas foram observados nas contas de energia nas cidades de Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Rio de Janeiro. Fernando Gonçalves afirmou que “se a energia elétrica não fosse considerada no cálculo do IPCA, o índice ficaria em apenas 0,13%.”
Setor de Transportes
O grupo dos transportes também apresentou uma alta significativa no mês (0,27%), contribuindo com um impacto total de 0,5 ponto percentual no índice geral. Embora os combustíveis tenham apresentado uma queda média de 0,42%, houve um aumento expressivo nos custos associados ao transporte por aplicativo (13,77%).
O índice de difusão – que mede a proporção dos produtos com alta – foi de 54%, indicando que entre os 377 itens monitorados pelo IBGE para avaliação dos preços ao consumidor, apenas 54% apresentaram elevações. Este é o menor nível desde julho de 2024 (47%), enquanto em abril o índice alcançou até 67%.
Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)
O IBGE também divulgou dados sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que ficou em 0,23% em junho e acumulou uma variação anual de 5,18%. A diferença fundamental entre os dois índices reside no fato de que o INPC é voltado para famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos enquanto o IPCA considera lares com renda até quarenta salários mínimos. Atualmente o salário mínimo está fixado em R$ 1.518.
Os pesos atribuídos aos diferentes grupos no INPC são distintos; por exemplo, alimentos representam 25% do total do INPC comparado a apenas 21,86% no IPCA. Isso se deve ao fato das famílias com menores rendimentos destinar uma parcela maior do orçamento à alimentação. Em contrapartida, despesas como passagens aéreas têm menor peso no INPC se comparadas ao IPCA.