Indígenas e manifestantes invadem sede da COP30 em Belém
COP30: grupo ligado a indígenas e PSOL protesta na Zona Azul
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 11/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Um intenso tumulto marcou a noite desta terça-feira (11) na capital paraense, Belém, sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30. Um grupo de manifestantes, que incluía indígenas e ativistas ligados ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), invadiu a área de acesso restrito do evento, conhecida como Zona Azul, em um protesto que escalou para um confronto direto com as equipes de segurança.
A mobilização tem como pauta principal a urgência da taxação de grandes fortunas como mecanismo financeiro para alavancar e custear políticas climáticas globais.
O confronto na entrada da Zona Azul
O incidente ocorreu quando os manifestantes se deslocaram em direção à entrada principal da área isolada. De acordo com relatos iniciais, o grupo conseguiu empurrar e quebrar a porta do local, forçando a entrada e deflagrando a confusão.
O objetivo era levar o debate sobre o financiamento climático, um dos temas centrais da COP30, diretamente para o coração das negociações. A pauta de fundo é clara: para que os países em desenvolvimento, especialmente aqueles com grandes biomas como a Amazônia, consigam implementar planos efetivos contra a crise climática, é imperativo que as grandes riquezas globais sejam oneradas.
No meio da invasão, um dos seguranças, que pertencia a uma empresa terceirizada responsável pela segurança do evento, ficou ferido. Ele foi atingido pela baqueta de um dos protestantes que utilizava um bumbo durante o ato. O ferimento, embora não tenha sido detalhado em sua gravidade, ressalta a tensão do momento e a quebra do protocolo de segurança na cúpula internacional.
A força da Mobilização Indígena na COP30
A presença maciça de indígenas no protesto sublinha a crescente articulação desses povos como atores cruciais na defesa do clima. As lideranças tradicionais, em Belém para acompanhar os debates da COP30, têm reforçado a posição de que a demarcação e proteção de Terras Indígenas é a mais eficaz política climática.
O alinhamento do movimento com grupos políticos, como o PSOL, demonstra uma convergência de esforços em torno de temas de justiça socioambiental. O foco na taxação de grandes fortunas para financiar políticas climáticas é uma bandeira que ganha força no debate internacional, ecoando propostas de líderes mundiais que defendem a necessidade de novas fontes de financiamento para a transição energética e adaptação.
Reforço na segurança e ameaça de Retorno
Após a confusão e a intervenção das forças de segurança, um grande número de pessoas foi visto deixando a pé a área isolada do evento, indicando a dispersão inicial do grupo invasor.
No entanto, a situação não se encerrou. As autoridades foram alertadas sobre a promessa dos manifestantes de retornarem à sede da COP30. Diante disso, a organização do evento e as forças de segurança estaduais e federais confirmaram que a segurança do local será significativamente reforçada nesta quarta-feira (12) para impedir novas tentativas de invasão e garantir a continuidade pacífica das negociações.
O episódio serve como um forte lembrete da polarização e da urgência das demandas em torno da crise climática. A mobilização de indígenas e ativistas em Belém garante que a questão do financiamento e da justiça social permaneça em destaque no cronograma da COP30. O debate sobre como financiar a ação climática, e quem deve pagar a conta, está no centro das atenções, e o ato desta terça-feira elevou a pressão sobre os negociadores.